Alfredo Jorge de Macedo Bobela da Motta (Abrantes, 25 de Agosto de 1905 - Lisboa, 1978), foi um jornalista e escritor português antifascista, radicado em Angola colonial onde lutou pelos movimentos independentistas e foi preso político durante a Ditadura. Considerado um dos fundadores da Literatura Angolana, Agostinho Neto concedeu-lhe postumamente a nacionalidade.

Biografia

Início de vida e carreira Filho de Augusto de Paiva Bobela da Mota, (Coimbra, 11 de Outubro de 1879 - Abrantes, 29 de Abril de 1931) Comendador da Ordem Militar de São Bento de Avis, Oficial Capitão-Tenente da Armada Portuguesa, Capitão-de-Mar-e-Guerra, Governador Interino da Índia Portuguesa entre 23 de Maio de 1918 e 11 de Novembro de 1920, Senador eleito por Goa em 1922, e de sua mulher Maria Luísa de Antas de Loureiro de Macedo (25 de Janeiro de 1876 - 17 de Janeiro de 1923), foi neto paterno de Raimundo Pereira da Silva da Mota, Lente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e de sua mulher Maria José de Paiva e Palma Velho Pacheco González-Bobela, Senhora da Casa dos Telheiros, em Alferrarede, e neto materno de Alfredo de Antas da Cunha e Brito Lopes de Macedo e de sua mulher Capitolina Maria de Almeida de Loureiro, bisneta do 1.o Barão de São José de Porto Alegre. Passou parte da infância em Goa e fez os estudos secundários em Lisboa. Em 1924 chegou a Angola para, durante onze anos, chefiar o remoto posto da Baía dos Tigres, onde o pai tinha sido nomeado Intendente, iniciando uma carreira administrativa que terminaria dezasseis anos mais tarde com o seu regresso a Portugal. Frequentou meios literários e progressistas, publicando o seu livro de poesia Desaguisados em 1948. Em 1950, regressou a Angola, dedicando-se a uma vasta actividade literária e cultural e investindo-se no jornalismo profissional. Fundou e dirigiu o semanário Sul, em Moçâmedes. Foi um dos dirigentes da Sociedade Cultural de Angola (SCA) que, a par de uma actividade cultural pública, desenvolveu um movimento político clandestino, defensor de ideais independentistas na génese do MPLA, ditando a perseguição e prisão política de vários dos seus membros, entre os quais Julieta Gandra e Manuel Alfredo Tito de Morais. A SCA foi extinta em 1965, pelo Governador-Geral de Angola Silvino Silvério Marques. Foi preso pela PIDE, em Luanda, e encarcerado durante cem dias, depois do julgamento de António Jacinto (de quem tinha sido testemunha de defesa), Luandino Vieira e António Cardoso. Em 1965, a PIDE congeminou a sua expulsão de Angola, tal como a dos advogados Eugénio Ferreira e Antero de Abreu, acusados de intervenções variadas na atribuição do prémio literário da SCA (1961), do 1o Prémio D. Maria José Abrantes Mota Veiga do jornal ABC-Diário de Angola (1964), e do Grande Prémio da Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores (1965), à obra Luuanda, de Luandino Vieira, do qual tinha sido co-editor. A expulsão não se consumou por oposição do Conselho Económico e Social de Angola, mas a PIDE forçou-o a abandonar o jornalismo profissional. Passou, então, a usar o pseudónimo Luís Vilela, produzindo centenas de crónicas, algumas das quais foram compiladas no livro Letras Descontadas, lançado em 1974. Chefiou a redacção do jornal antifascista ABC-Diário de Angola, de Manuel Machado Saldanha, e foi redactor principal de O Comércio, em 1971. Teve profícua colaboração em Rádio, jornais e outras publicações Angolanas do período colonial, sendo memoráveis as suas intervenções em polémicas históricas e literárias, designadamente as relativas ao livro Angola do Meu Coração de João Falcato (ABC-Diário de Angola, 1962), ao I Encontro de Escritores de Angola (ABC-Diário de Angola, 1962) e à topónima arqueológica da Costa do Sul de Angola, que originou o seu opúsculo Mangas Trocadas, em 1962. Após a queda do fascismo, teve intensa actividade política, integrando o primeiro directório do recém fundado Movimento Democrático de Angola diluído posteriormente no MPLA. Foi autor do Relatório daquele Movimento, publicado pela África Editora com o título Massacres de Luanda e membro fundador da União dos Escritores Angolanos. Em maio de 1974, no Pós-25 de Abril, redigiu uma carta aberta publicada no jornal A Província de Angola contestando politicamente a nomeação de Silvino Silvério Marques como Governador-Geral de Angola. O protesto baseava-se no facto de este já ter exercido o cargo, entre 1962 e 1966, pautando-se por uma conduta autoritária e conservadora. O novo mandato de Silvério Marques durou até ao final de julho de 1974, data em que foi afastado por não dar garantias de cumprir as instruções da Junta de Salvação Nacional. Publicou Não Adianta Chorar em 1977, prefaciado por Manuel Ferreira, e Sô Bicheira e Outros Contos, em 1978, no ano da sua morte.

Família e vida pessoal Foi casado com Lídia da Cruz Bento, da qual teve uma filha, Maria Luísa Bento Bobela da Mota, casada com António Alberto Cavaleiro de Ferreira Coutinho da Silveira Ramos, com geração, e um filho, Augusto José Bento Bobela da Mota, solteiro e sem geração. Agostinho Neto atribuiu-lhe postumamente a nacionalidade angolana.

Referências