Entenda por que o número no controle remoto não determina sozinho o conforto e saiba quais fatores influenciam o consumo de energia

Ar-condicionado em 23°C: é a temperatura certa para dormir e trabalhar? — Foto: Reprodução/Midea

Colocar o ar-condicionado em 23°C é a escolha certa para a maioria das situações ao dormir, trabalhar ou refrescar a casa, pois a marcação equilibra conforto térmico e consumo de energia. O ajuste, no entanto, não é uma regra fixa para todas as residências. Condições do imóvel, clima externo, umidade do ar, quantidade de pessoas e a atividade exercida no espaço alteram a sensação de calor e exigem adaptações no controle remoto.

Para explicar como utilizar o equipamento de forma eficiente, o TechTudo consultou o diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), Fernando Perrone, e o gerente de Marketing de Produto RAC da Midea, Cesar Messano. Os especialistas mostram como a temperatura operativa, a umidade e o dimensionamento térmico em BTUs afetam o funcionamento do aparelho e ajudam a economizar na conta de luz.

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Nem todo local é necessário deixar o ar-condicionado em 23ºC. Veja como descobrir a temperatura de conforto para cada tipo de ambiente — Foto: Reprodução/Freepik

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1. De onde vem a referência dos 23°C?

Os 23 °C aparecem como referência porque estão próximos de faixas tradicionalmente utilizadas em estudos e normas de conforto térmico. A NBR 16401, principal norma técnica brasileira para projetos de sistemas de ar-condicionado, estabelece parâmetros de conforto térmico e qualidade do ar. Em sua atualização, a norma trabalha, para determinadas condições de verão, com temperaturas operativas internas entre 22,5 °C e 25,5 °C, considerando também as condições de umidade do ar. Mas por que os 23 °C passaram a ser usados como referência?

A temperatura passou a ser utilizada como uma referência prática para ajustes de sistemas de ar-condicionado, tanto em sistemas centrais de edifícios comerciais e corporativos quanto em aparelhos individuais instalados em locais de trabalho e residências. Segundo o diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), os 23 °C passaram a ser usados como referência geral de conforto para o funcionamento do ar-condicionado, para que o equipamento não precise de refrigeração excessiva ou de ajustes dependendo do local de utilização. Ele ressalta, porém, que essa temperatura pode variar conforme as condições e características de cada ambiente.

Temperatura de 23ºC é uma referência geral de temperatura de conforto para ambientes climatizados — Foto: Reprodução/Freepik

"Incidência solar direta, áreas de sombreamento, tipos de edificação e materiais utilizados, vedação de portas e janelas, forma de instalação, umidade e ventilação natural podem interferir nessa temperatura de conforto. Por isso, os 22 °C e 23 °C usados como referência podem mudar um pouco de acordo com o local", explica Perrone. Assim, os 23 °C não devem ser interpretados como uma temperatura obrigatória para qualquer residência ou ambiente. O conforto térmico depende de diversas variáveis e também pode variar de uma pessoa para outra.

Outro ponto importante é que a temperatura indicada no controle remoto corresponde ao setpoint, ou seja, à temperatura que o sistema busca atingir. Isso não significa que todos os pontos do cômodo estarão exatamente a 23 °C, já que fatores como circulação do ar, incidência solar, isolamento térmico, posição do aparelho e distribuição do ar podem produzir diferenças de temperatura dentro do ambiente.

2. Qual é a temperatura ideal do ar-condicionado?

Não existe uma temperatura única que possa ser considerada ideal para todas as situações. Como referência para ambientes residenciais, uma faixa próxima de 23°C a 25°C costuma proporcionar uma combinação adequada entre conforto e consumo para muitas pessoas, mas a configuração pode precisar ser ajustada conforme as condições do ambiente. "Reduzir excessivamente a temperatura nem sempre é a melhor solução. O ideal é equilibrar temperatura e umidade para proporcionar mais conforto, bem-estar e eficiência energética", ressalta o gerente de Marketing de Produto RAC da Midea, Cesar Messano.

Temperatura ideal do ar-condicionado leva em consideração a estrutura da edificação, incidência solar e umidade do ar — Foto: Elgin/Divulgação

3. A temperatura ideal muda de acordo com o cômodo?

Sim. O uso do ambiente é um dos principais fatores que interferem na percepção de conforto. No quarto, por exemplo, temperaturas muito baixas podem ser desconfortáveis durante o sono. Como esse espaço costuma ser ocupado por poucas pessoas, uma configuração moderada ou o uso combinado com um ventilador pode ser suficiente. Também é importante considerar a orientação solar. Um quarto que recebe sol direto durante a tarde acumula muito mais calor do que outro protegido da radiação, mesmo que ambos tenham a mesma área.

Já a sala de estar costuma apresentar uma variação maior no fluxo de pessoas. Uma reunião familiar ou um ambiente integrado com a cozinha, por exemplo, produz mais calor interno do que uma sala ocupada por uma única pessoa. Por ser um local de grande circulação e com vedação restrita, a temperatura de conforto pode variar ao longo do dia e, em alguns casos, ficar abaixo dos 23 °C.

No quarto, a temperatura pode ser mais elevada sem que isso aumente a sensação de calor ao dormir — Foto: Midea/Divulgação

Os escritórios e espaços de home office combinam características de quarto e sala. Geralmente, uma pessoa realiza uma atividade sedentária por horas consecutivas, enquanto o clima externo muda constantemente (mais frio pela manhã, quente à tarde e ameno à noite). Além disso, computador, monitor, iluminação e outros equipamentos permanecem ligados por muito tempo e liberam calor. A quantidade de pessoas e aparelhos é fundamental no dimensionamento da capacidade térmica do ar-condicionado.

Em todos esses casos, não é necessário buscar uma temperatura extremamente baixa para compensar um ambiente quente. Se o aparelho estiver corretamente dimensionado, uma configuração moderada é suficiente para manter o conforto térmico. "Por isso, a temperatura ideal pode variar conforme o ambiente e sua utilização. Um quarto, um escritório ou um local com grande circulação de pessoas podem demandar ajustes diferentes. Na prática, os 23 °C funcionam como um ponto de partida, podendo ser ajustados de acordo com as necessidades de conforto dos ocupantes e as condições do ambiente", explica Messano.

4. Como a umidade do ar interfere na sensação térmica?

A temperatura não é o único elemento responsável pela sensação de calor. A umidade relativa do ar também desempenha papel importante. Quando o ar está muito úmido, a evaporação do suor ocorre com maior dificuldade. Com isso, o corpo pode ter mais dificuldade para perder calor e a sensação térmica pode ser de um ambiente mais abafado, mesmo que o termômetro indique uma temperatura relativamente moderada.

"Em regiões quentes e úmidas, o conforto térmico depende não apenas da temperatura, mas também do controle da umidade do ar. Quando a umidade está elevada, a sensação de calor aumenta, mesmo com o ambiente climatizado", afirma o gerente da Midea.

Umidade do ar interfere diretamente na sensação de conforto e no ajuste de temperatura do ar-condicionado — Foto: Reprodução/Freepik (goffkein)

O ar-condicionado ajuda nesse processo porque, além de resfriar, normalmente retira parte da umidade do ar durante seu funcionamento. A umidade também ajuda a explicar por que simplesmente reduzir o termostato nem sempre resolve uma sensação de desconforto. Em determinadas situações, o problema pode estar relacionado às condições de umidade ou à circulação do ar, e não apenas à temperatura selecionada.

5. Colocar o ar-condicionado no mínimo faz gelar mais rápido ou só gasta mais energia?

Esse é um dos principais erros cometidos pelos usuários. Selecionar temperaturas muito baixas, como 18 °C ou menos, não significa necessariamente que o ambiente será resfriado mais rapidamente e pode aumentar o consumo de energia. Fernando Perrone, do INEE, explica que, dependendo do modelo, cada 1 °C a menos na temperatura programada pode elevar o consumo de energia em até 8%.

Assim, reduzir a temperatura de 23 °C para 18 °C pode representar um aumento significativo no consumo, já que o equipamento continuará a trabalhar para alcançar a temperatura programada. Se o objetivo é deixar o ambiente próximo de 23 °C, selecionar 18 °C pode fazer o sistema operar por mais tempo para atingir uma temperatura que, na prática, não era necessária. Em situações como essa, o especialista recomenda manter o ambiente fechado, para evitar a entrada de ar quente e a saída do ar climatizado, e aguardar alguns minutos até que a temperatura de conforto seja alcançada.

Baixar demais a temperatura ou superestimar a capacidade do ar-condicionado pode ter como resultado uma conta de luz mais alta — Foto: Imagem gerada com IA/ Nano Banana 2

"Ligar diretamente em 23 °C de forma constante consome muito menos energia do que 'pisar fundo' no termostato. Baixar para 18 °C e, poucos minutos depois, voltar para 23 °C ou 24 °C só vai aumentar o gasto de energia. Portanto, é melhor trabalhar com uma temperatura de conforto de maneira constante do que exigir o máximo do equipamento para atingir uma temperatura muito baixa", orienta Perrone. Outra alternativa, quando o objetivo é chegar rapidamente a uma condição confortável, é utilizar uma configuração adequada à necessidade do ambiente e, quando disponível, uma função específica de resfriamento rápido indicada pelo fabricante.

"Para resfriar mais rapidamente um ambiente muito quente, o mais importante é reduzir a entrada de calor, mantendo portas e janelas fechadas, utilizando cortinas ou persianas e garantindo que o equipamento esteja corretamente dimensionado para o espaço. Além disso, tecnologias específicas podem acelerar a sensação de conforto. A função Smart Turbo, por exemplo, foi desenvolvida para proporcionar um resfriamento mais rápido nos momentos iniciais de uso. Após atingir o conforto desejado, o ideal é manter uma temperatura equilibrada, garantindo bem-estar e eficiência energética", completa Cesar Messano, da Midea.

6. Como saber se o ar-condicionado está bem dimensionado para o ambiente?

O dimensionamento não deve considerar apenas a metragem do cômodo. A capacidade do aparelho, normalmente expressa em BTU/h, precisa levar em conta a carga térmica do espaço. Entre os fatores considerados estão:

- área e volume do ambiente;

- quantidade de pessoas;

- incidência de sol;

- número de janelas;

- tipo de cobertura;

- isolamento térmico;

- equipamentos eletrônicos;
- iluminação;
- circulação de ar;
- características da construção.
Em ambientes mais amplos, como salas de estar a temperatura de conforto pode variar dependendo das condições climáticas — Foto: Midea/Divulgação
Por isso, um aparelho subdimensionado pode ter dificuldade para atingir a temperatura desejada, especialmente nos horários mais quentes. Nesse cenário, o usuário pode reduzir ainda mais o termostato na tentativa de compensar a falta de capacidade. Por outro lado, escolher simplesmente o equipamento com maior número de BTUs também não é uma solução automática. O dimensionamento deve ser compatível com a carga térmica do ambiente, e um aparelho superdimensionado vai fazer o consumo de energia aumentar sem necessidade.
7. Erros que podem fazer o ar-condicionado gastar mais energia
- Configurar uma temperatura muito baixa: regular o aparelho abaixo de 18°C quando uma temperatura próxima de 23°C ou 24°C já proporcionaria conforto pode aumentar o esforço necessário para climatizar o ambiente e aumentar o consumo de energia.
- Manter os filtros sujos: filtros obstruídos prejudicam a circulação de ar e podem fazer o equipamento trabalhar sob maior esforço. A recomendação dos fabricantes é fazer a limpeza frequente dos filtros.
- Deixar portas e janelas abertas: a entrada contínua de ar externo aumenta a carga térmica que o aparelho precisa compensar. Por isso, durante o funcionamento, portas e janelas devem permanecer fechadas sempre que a situação permitir.
- Usar um aparelho inadequado para o tamanho do ambiente: um equipamento com capacidade insuficiente pode ter dificuldade para manter a temperatura desejada. Já um modelo escolhido sem considerar corretamente as características do espaço pode apresentar funcionamento menos eficiente. O dimensionamento deve considerar área, exposição solar, pessoas, eletrônicos e outros fatores.
- Não realizar manutenção preventiva: a limpeza dos filtros é apenas uma parte da manutenção. Componentes internos e externos também precisam ser avaliados periodicamente por profissionais, de acordo com as recomendações do fabricante e as características da instalação. A sujeira acumulada em componentes de troca térmica pode reduzir a eficiência do sistema e elevar o consumo de energia.
- Utilizar funções de maneira inadequada: funções como modo Turbo, Dry, Sleep (dormir), Fan (ventilação) e Auto têm finalidades diferentes. O modo Dry, por exemplo, prioriza a retirada de umidade, enquanto outras funções alteram o comportamento do compressor e da ventilação. Usar uma função sem necessidade pode não trazer benefício proporcional. O ideal é consultar o manual do aparelho e escolher o modo de acordo com a situação.
- Ligar e desligar o aparelho excessivamente: desligar o ar-condicionado por períodos curtos e ligá-lo novamente várias vezes pode ser contraproducente, especialmente quando o ambiente volta rapidamente a acumular calor. Em vez de criar uma rotina de liga e desliga a todo momento, vale utilizar recursos como temporizador ou programação de funcionamento quando disponíveis. Isso não significa que o aparelho deva permanecer ligado em um ambiente vazio durante horas. De forma geral, a recomendação é desligar o equipamento quando o local ficar desocupado por mais de uma hora.
- Considerar a temperatura indicada no aparelho como igual em todo o ambiente: o número mostrado no controle remoto não garante que todos os pontos do cômodo estejam exatamente naquela temperatura. A posição da evaporadora, a circulação do ar, a incidência solar, obstáculos e características construtivas podem produzir diferenças de temperatura dentro do mesmo espaço. Por isso, alguém sentado próximo à saída de ar pode sentir mais frio do que outra pessoa do outro lado da sala, mesmo com o mesmo valor configurado.
Manutenção em dia e limpeza são alguns dos cuidados para manter o ar-condicionado funcionando bem — Foto: Resolução/Magnific (Freepik)
8. Como configurar o ar-condicionado para ter conforto e economizar?
Configurar uma temperatura muito baixa: regular o aparelho abaixo de 18°C quando uma temperatura próxima de 23°C ou 24°C já proporcionaria conforto pode aumentar o esforço necessário para climatizar o ambiente e aumentar o consumo de energia. Manter os filtros sujos: filtros obstruídos prejudicam a circulação de ar e podem fazer o equipamento trabalhar sob maior esforço. A recomendação dos fabricantes é fazer a limpeza frequente dos filtros. Deixar portas e janelas abertas: a entrada contínua de ar externo aumenta a carga térmica que o aparelho precisa compensar. Por isso, durante o funcionamento, portas e janelas devem permanecer fechadas sempre que a situação permitir.
Usar um aparelho inadequado para o tamanho do ambiente: um equipamento com capacidade insuficiente pode ter dificuldade para manter a temperatura desejada. Já um modelo escolhido sem considerar corretamente as características do espaço pode apresentar funcionamento menos eficiente. O dimensionamento deve considerar área, exposição solar, pessoas, eletrônicos e outros fatores.
Ar-condicionado deve ser dimensionado levando-se em consideração a área total e as condições de uso do ambiente — Foto: Midea/Divulgação
Não realizar manutenção preventiva: a limpeza dos filtros é apenas uma parte da manutenção. Componentes internos e externos também precisam ser avaliados periodicamente por profissionais, de acordo com as recomendações do fabricante e as características da instalação. A sujeira acumulada em componentes de troca térmica pode reduzir a eficiência do sistema e elevar o consumo de energia.
Utilizar funções de maneira inadequada: funções como modo Turbo, Dry, Sleep (dormir), Fan (ventilação) e Auto têm finalidades diferentes. O modo Dry, por exemplo, prioriza a retirada de umidade, enquanto outras funções alteram o comportamento do compressor e da ventilação. Usar uma função sem necessidade pode não trazer benefício proporcional. O ideal é consultar o manual do aparelho e escolher o modo de acordo com a situação.
É posscomo ativar as funções pelo controle do ar-condicionado — Foto: Arte/TechTudo
Ligar e desligar o aparelho excessivamente: desligar o ar-condicionado por períodos curtos e ligá-lo novamente várias vezes pode ser contraproducente, especialmente quando o ambiente volta rapidamente a acumular calor. Em vez de criar uma rotina de liga e desliga a todo momento, vale utilizar recursos como temporizador ou programação de funcionamento quando disponíveis. Isso não significa que o aparelho deva permanecer ligado em um ambiente vazio durante horas. De forma geral, a recomendação é desligar o equipamento quando o local ficar desocupado por mais de uma hora.
Considerar a temperatura indicada no aparelho como igual em todo o ambiente: o número mostrado no controle remoto não garante que todos os pontos do cômodo estejam exatamente naquela temperatura. A posição da evaporadora, a circulação do ar, a incidência solar, obstáculos e características construtivas podem produzir diferenças de temperatura dentro do mesmo espaço. Por isso, alguém sentado próximo à saída de ar pode sentir mais frio do que outra pessoa do outro lado da sala, mesmo com o mesmo valor configurado.
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