A Batalha do Rio Weser, por vezes conhecida como a Primeira Batalha de Minden ou Batalha de Idistaviso, foi travada em 16 d.C. entre as legiões romanas comandadas pelo herdeiro e filho adotivo do imperador romano Tibério, Germânico, e uma aliança de povos germânicos, comandada por Armínio. A batalha marcou o fim de uma série de campanhas de três anos conduzidas por Germânico na Germânia.
Antecedentes O chefe germânico, Armínio, tinha sido fundamental na organização da Batalha da Floresta de Teutoburgo, na qual três legiões romanas que se dirigiam para oeste em direção aos quartéis de inverno foram emboscadas e aniquiladas por forças germânicas aliadas nas florestas profundas da Germânia ocidental. Esta derrota atormentava a psique romana, e a vingança e a neutralização da ameaça de Armínio foram o ímpeto para a campanha de Germânico. No ano anterior à batalha, em 15 d.C., Germânico tinha marchado contra os Catões (Chatti) e, em seguida, contra os Queruscos (Cherusci) sob o comando de Armínio. Durante essa campanha, os romanos avançaram pela região da Floresta de Teutoburgo, onde as legiões tinham sido massacradas, e enterraram os ossos dos soldados romanos que lá permaneciam. A águia da aniquilada décima nona legião foi também recuperada. As escaramuças com os germânicos eram constantes, mas os romanos não conseguiam atraí-los para uma batalha em campo aberto.
Localização As fontes antigas identificam o local como Idistavisus, mas a localização exata é desconhecida, sabendo-se apenas que se situava na margem direita do Rio Weser, algures entre as cidades de Minden e Hamelin, no que é hoje a Alemanha.
Batalha
As tribos germânicas evitavam geralmente o combate aberto em grande escala, mas, através de repetidas incursões romanas profundas no território germânico, Germânico conseguiu forçar Armínio, à frente de uma coligação vasta, mas fragmentada, a responder. Os romanos, juntamente com os Caucos, que lutavam pelos romanos como auxiliares, derrotaram as forças aliadas germânicas e infligiram-lhes pesadas baixas. Armínio e o seu tio Inguiomero foram feridos na batalha, mas ambos evitaram a captura. O exército germânico em retirada foi chacinado em todas as direções. Muitos dos que tentavam atravessar o Weser a nado morreram sob uma tempestade de projéteis ou pela força da corrente. Muitos outros subiram aos topos das árvores e, enquanto se escondiam nos ramos, os romanos trouxeram arqueiros para os abater. Segundo Tácito, "[d]as nove da manhã ao anoitecer, os [germânicos] foram chacinados, e dez milhas cobriram-se com armas e cadáveres." Os soldados romanos envolvidos no campo de batalha aclamaram Tibério como imperator e ergueram uma pilha de armas como troféu, com os nomes das tribos derrotadas inscritos por baixo delas.
Rescaldo
A visão do troféu romano erigido no campo de batalha enfureceu os germânicos que se preparavam para recuar para lá do Elba, e lançaram um ataque às posições romanas no Muro dos Angrivários, iniciando assim uma segunda batalha. Os romanos tinham previsto o ataque e voltaram a desbaratar os germânicos. Germânico declarou que não queria prisioneiros, visto que o extermínio das tribos germânicas era a única conclusão que via para a guerra. Os romanos vitoriosos ergueram então um monte com a inscrição: "O exército de Tibério César, após conquistar exaustivamente as tribos entre o Reno e o Elba, dedicou este monumento a Marte, Júpiter e Augusto." Depois disto, Germânico ordenou a Caio Sílio que marchasse contra os catões com uma força mista de 3.000 cavaleiros e 33.000 infantes e devastasse o seu território. Entretanto, o próprio Germânico, com um exército maior, invadiu os marsos pela terceira vez e devastou as suas terras, derrotando qualquer inimigo que encontrasse. Germânico retirou então os seus soldados para lá do Reno para passar o inverno. Segundo Tácito, era tido como certo que as tribos germânicas estavam a considerar pedir a paz, e que uma campanha adicional no verão seguinte poria fim à guerra. No entanto, Tibério aconselhou Germânico a regressar a Roma, escrevendo-lhe que, embora "[t]ivesse travado batalhas vitoriosas em grande escala; ele deveria também lembrar-se daquelas perdas que os ventos e as ondas haviam infligido, e que, embora não se devessem a nenhuma falha do general, ainda eram graves e chocantes" e que, "uma vez que a vingança de Roma tinha sido satisfeita, [os germânicos] poderiam ser abandonados às suas contendas internas." Germânico recebeu um triunfo a 26 de maio de 17 d.C., em troca do seu regresso da Germânia.
Na ficção Em O Mestre e Margarida de Mikhail Bulgakov, o procurador da Judeia, Pôncio Pilatos, afirma ter lutado nesta batalha.
Referências
Bibliografia
Fontes primárias Wells, Peter S. (2003). The Battle That Stopped Rome. [S.l.]: Norton. ISBN 978-0-393-32643-7 Tacitus, Cornelius (2008). Barrett, Anthony, ed. The Annals: The Reigns of Tiberius, Claudius, and Nero. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 9780192824219 Shotter, David (2004). Tiberius Caesar. [S.l.]: Routledge. ISBN 1134364180
Ligações externas Germanicus no De Imperatoribus Romanis, inclui informações referenciadas sobre a batalha

