Mirelle Pinheiro

Daniel Trindade (PL) chegou a ser preso pela PF antes das eleições. Ele é investigado por formação de milícia privada e crimes ambientais

Giovanna Sfalsin
07/10/2026 15:59
Divulgação
Daniel Trindade (foto em destaque), do Partido Liberal, foi eleito deputado federal por Roraima nas Eleições 2026 realizadas nesse domingo (4/10), com 16.673 votos. Dias antes da votação, no entanto, ele foi preso pela Polícia Federal (PF) durante uma operação que encontrou indícios de crimes eleitorais relacionados à suspeita de compra de votos.
Na ação, realizada no dia 25 de setembro e batizada de Operação Cunhambebe, eram cumpridos mandados de busca e apreensão relacionados a uma investigação que apura o envolvimento do político na criação de uma milícia privada, além de crimes ambientais no estado.
Durante as buscas em endereços ligados ao então candidato, em Boa Vista e Cantá, os policiais encontraram indícios de crimes eleitorais e prenderam Daniel em flagrante. Ele foi solto no dia seguinte.
As apurações começaram após policiais federais serem atacados durante uma operação contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em maio deste ano.
Na ocasião, equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atuavam na comunidade Napoleão, uma das áreas afetadas pelo garimpo ilegal de ouro com uso de cianeto. Durante a fiscalização, um grupo tentou bloquear a passagem das viaturas.
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Segundo as investigações da PF, Trindade é suspeito de participar da formação de um grupo armado paralelo, além de incentivar a prática de crimes e manter produtos ilícitos, o que pode configurar receptação qualificada. Ele também é investigado por supostamente dificultar ações de fiscalização ambiental e colocar outras pessoas em risco.
A Justiça proibiu o candidato de entrar em terras indígenas do estado e de manter contato com integrantes da Comunidade Napoleão e com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima.
Um curso de segurança privada ministrado por Trindade também foi suspenso por 180 dias. Segundo a PF, os treinamentos eram realizados de forma clandestina, sem autorização do órgão responsável, e ensinavam táticas operacionais de segurança.

