Entenda como criminosos já comercializam ferramentas capazes de criar mensagens, perfis e campanhas fraudulentas em escala, aumentando velocidade dos ataques digitais

Criminosos usam inteligência artificial para automatizar etapas de golpes e tornar ataques cibernéticos mais rápidos e escaláveis — Foto: Imagem gerada por IA/OpenAI
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Criminosos estão usando inteligência artificial (IA) para automatizar golpes e outros ataques cibernéticos, além de comercializar ferramentas e serviços que facilitam atividades antes restritas a agentes com maior conhecimento técnico. A prática pode acelerar ameaças como phishing, roubo de credenciais, malware e ransomware, tornando os ataques mais rápidos e escaláveis. Em entrevista ao TechTudo, John Fokker, chefe de Investigações Cibernéticas da Trellix Threat Labs, explica como essa transformação afeta empresas e por que a segurança precisa se tornar cada vez mais preventiva.

Criminosos usam IA para automatizar golpes e vendem o serviço; entenda
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Índice

Brasil concentra grande volume de ataques cibernéticos na América Latina — Foto: Imagem gerada por IA/OpenAI
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- IA vira serviço no cibercrime

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- IA reduz a barreira para ataques

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- Ataques conhecidos ficam mais rápidos

Não sabe por onde começar a montar a sua casa inteligente?
Não sabe por onde começar a montar a sua casa inteligente? · Imagem: Source: www.techtudo.com.br

- Até processos de contratação podem ser explorados

Criminosos usam IA para automatizar golpes e vendem o serviço; entenda
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- Por que o cenário preocupa no Brasil

- Empresas precisam se antecipar aos ataques

- O que muda na segurança das empresas

1. IA vira serviço no cibercrime

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tecnologia testada de forma isolada por criminosos e passou a integrar um mercado muito mais estruturado. Uma pesquisa da Trellix identificou, em fóruns e canais utilizados pelo cibercrime, ferramentas e serviços de IA anunciados com preços, planos, suporte e atualizações, em um modelo semelhante ao de empresas legítimas de software. Entre as ofertas estão plataformas para planejamento de ataques, modelos sem restrições de segurança e ferramentas voltadas à criação ou modificação de códigos maliciosos e à evasão de sistemas de proteção.

Segundo John Fokker, chefe de Investigações Cibernéticas da Trellix Threat Labs, a principal mudança que gerou todo esse avanço dos criminosos é a transformação dessas capacidades em produtos acessíveis a mais pessoas.

“A IA deixou de ser algo que os agentes de ameaça experimentam por conta própria. Estamos vendo recursos de IA sendo empacotados, anunciados e vendidos como serviços no ecossistema do cibercrime. Essa comercialização torna recursos avançados mais acessíveis a um número maior de agentes de ameaça. Em vez de desenvolver tudo por conta própria, os criminosos podem cada vez mais comprar ferramentas que auxiliam em tarefas como reconhecimento, planejamento de ataques, desenvolvimento de malware ou evasão de detecção. Essa mudança da experimentação para a comercialização é um dos principais avanços identificados em nossa pesquisa”, explica John Fokker.

Na prática, essas ferramentas podem automatizar ou acelerar tarefas como o reconhecimento de alvos, o planejamento de ataques, o desenvolvimento e a modificação de malware, a criação de conteúdos para engenharia social e tentativas de evitar a detecção. A pesquisa ainda aponta para serviços capazes de concentrar atividades que antes exigiam diferentes ferramentas e conhecimentos técnicos em fluxos de trabalho mais simples, reduzindo o esforço necessário para executar determinadas etapas de uma invasão.

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2. IA reduz as barreira para ataques

A chamada “compressão de capacidades” acontece quando tarefas que antes exigiam conhecimento técnico e várias ferramentas, são reunidas e simplificadas pela IA. Segundo a pesquisa da Trellix, algumas atividades que dependiam de operadores experientes hoje podem ser transformadas em fluxos de trabalho mais simples.

“A compressão de capacidades significa que a IA pode reunir tarefas que antes exigiam um conhecimento técnico significativo, múltiplas ferramentas, parcerias e bastante tempo, tornando-as acessíveis por meio de fluxos de trabalho muito mais simples. Um agente com menos experiência pode usar a IA para automatizar ou auxiliar em tarefas que antes exigiriam um operador mais experiente. O resultado é um grupo maior de potenciais atacantes, com ataques que podem se tornar mais baratos, rápidos e escaláveis”, alerta Fokker.

Sendo assim, isso não significa que qualquer pessoa possa realizar sozinha um ataque cibernético sofisticado, mas que a tecnologia pode automatizar ou auxiliar atividades que antes exigiriam um profissional mais experiente, diminuindo o conhecimento e o esforço necessários para realizá-las.

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3. Ataques conhecidos ficam mais rápidos

Dentro de todo esse contexto, a principal preocupação se tornou não somente o surgimento de ataques completamente novos, mas a capacidade da IA de acelerar ameaças que já fazem parte do cenário da cibersegurança. A tecnologia pode tornar etapas de ataques mais rápidas e automatizadas, potencializando golpes como roubo de credenciais, engenharia social, disseminação de malware e ransomware. Segundo John, chefe de Investigações Cibernéticas da Trellix:

“Roubo de credenciais, engenharia social, malware, ransomware e ataques baseados em identidade continuam sendo preocupações relevantes. A IA pode ajudar agentes de ameaça a automatizar o reconhecimento, desenvolver ou modificar malware, escapar da detecção, criar conteúdos de engenharia social mais convincentes e avançar mais rapidamente pelas diferentes etapas de um ataque”.

A pesquisa da Trellix mostra ainda que essa automação pode atingir diferentes pontos da cadeia de ataque, desde a identificação de possíveis alvos até a entrega de códigos maliciosos e a tentativa de evitar sistemas de segurança. O resultado é que ameaças já conhecidas podem se tornar mais eficientes e difíceis de acompanhar, aumentando a pressão sobre empresas que dependem apenas de mecanismos tradicionais de proteção.

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4. Até processos de contratação podem ser explorados

Ferramentas de inteligência artificial também podem ser usadas para explorar processos de verificação dentro das empresas. A pesquisa da Trellix apresenta o caso de uma ferramenta criada para auxiliar candidatos durante entrevistas de emprego, capaz de ouvir perguntas, transcrever o conteúdo e gerar respostas com IA. O exemplo mostra como recursos desenvolvidos para automatizar tarefas podem ser usados para contornar avaliações humanas e outros mecanismos baseados em confiança.

O risco é que esse tipo de tecnologia ajude pessoas mal-intencionadas a superar etapas de seleção e obter acesso legítimo a sistemas e informações corporativas. Nesse cenário, diferentes ferramentas de IA podem facilitar a exploração de processos que dependem principalmente da verificação humana, ampliando a necessidade de as empresas revisarem seus mecanismos de segurança e validação.

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5. Por que o cenário preocupa no Brasil

O uso comercial da inteligência artificial no cibercrime preocupa especialmente empresas brasileiras, pois o país já enfrenta um cenário de ameaças digitais em larga escala. Dados divulgados pela Security Leaders, com base no estudo Cenário Global de Ameaças 2026, apontam que o Brasil sofreu mais de 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2025, concentrando 84% das investidas registradas na América Latina. O país também ficou entre os sete mais atacados do mundo.

Diante disso, para John Fokker, a recomendação é:

“As empresas brasileiras devem começar avaliando como a evolução da IA está mudando as ameaças que já enfrentam, em vez de tratar o uso malicioso da IA como uma categoria de risco completamente separada. Na prática, isso significa fortalecer os controles de identidade e acesso, ampliar a detecção comportamental, investir em inteligência de ameaças e revisar os planos de resposta a incidentes. As organizações também devem monitorar o uso de serviços e APIs de IA em seus ambientes e avaliar processos que dependem fortemente de confiança ou de verificação humana.”.

Nesse contexto, a preocupação é que a IA aumente a velocidade e a escala de ataques em um ambiente que já registra um grande volume de ameaças. Como a tecnologia pode reduzir o custo e a complexidade de determinadas operações, basicamente as empresas precisam fortalecer a capacidade de identificar comportamentos suspeitos e antecipar riscos.

Brasil concentra grande volume de ataques cibernéticos na América Latina — Foto: Imagem gerada por IA/OpenAI

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6. Empresas precisam se antecipar aos ataques

Uma postura baseada apenas na reação pode não ser suficiente diante de ataques potencializados por IA. O problema, segundo John Fokker, é que a tecnologia está reduzindo o tempo necessário para executar diferentes etapas de uma operação criminosa, diminuindo a janela disponível para identificar e conter uma ameaça depois que ela já começou.

Para o chefe de Investigações Cibernéticas da Trellix Threat Labs:

“Uma abordagem puramente reativa pressupõe que a organização terá tempo suficiente para identificar um incidente, investigar o que aconteceu e, então, responder. O problema é que essa janela de tempo está ficando cada vez menor”.

Por isso, a resposta a incidentes precisa ser acompanhada por ações capazes de identificar ameaças antes que elas causem danos. Medidas como inteligência de ameaças, monitoramento contínuo e threat hunting podem ajudar as empresas a encontrar sinais de atividades maliciosas mais cedo e acompanhar mudanças no comportamento dos invasores.

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7. O que muda na segurança das empresas

O avanço da IA no cibercrime não exige que as empresas criem uma estratégia de segurança totalmente separada para a tecnologia. A principal mudança é adaptar as defesas existentes para um cenário em que ataques podem avançar com mais velocidade, escala e capacidade de adaptação. Para isso, a recomendação é combinar a resposta a incidentes com mecanismos capazes de identificar sinais de ameaça antes que uma invasão se consolide.

“As organizações precisam combinar suas capacidades de resposta com medidas proativas, como inteligência de ameaças, detecção comportamental, controles robustos de identidade, monitoramento contínuo e threat hunting (...) Isso não significa que a resposta a incidentes esteja se tornando menos importante. Significa que a resposta precisa fazer parte de uma estratégia mais ampla, capaz de identificar sinais mais cedo e se adaptar continuamente às ameaças emergentes", orienta John Fokker.

No geral, as principais recomendações são:

- Manter o monitoramento contínuo: acompanhar atividades no ambiente para identificar mudanças e comportamentos suspeitos com mais rapidez;

- Fortalecer os controles de identidade e acesso: proteger credenciais e limitar o acesso a sistemas e dados;

- Investir em detecção comportamental: observar padrões incomuns de login, autenticação e uso de recursos, em vez de depender apenas de alertas isolados;

- Usar inteligência de ameaças: acompanhar técnicas e comportamentos adotados por agentes mal-intencionados para atualizar as defesas;

- Realizar threat hunting: buscar proativamente sinais de atividades maliciosas que ainda não foram identificadas por sistemas automáticos;

- Revisar processos baseados em confiança humana: avaliar etapas que podem ser manipuladas com conteúdos ou interações gerados por IA;

- Manter planos de resposta a incidentes atualizados: garantir que a empresa consiga reagir rapidamente quando uma ameaça for identificada.

Com informações de Trellix Threat Labs.

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