Manoela Alcântara

Flávio Dino, do STF, derrubou decisão de André Mendonça e liberou post que associa a "família miliciana" ataques a Nossa Senhora Aparecida

Manoela Alcântara

28/09/2026 11:43, atualizado 28/09/2026 12:14
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), submeterá decisão que liberou publicações sobre questões relacionadas ao título de Padroeira do Brasil. Neste domingo (27/9), Dino derrubou a determinação do ministro André Mendonça, também vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia estabelecido a remoção de uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
Dino relatou preocupação com a possível “censura em massa” em plataformas digitais durante o período eleitoral, afetando milhões de fiéis. Diante da complexidade do tema e dos poderes delegados às empresas de internet, o ministro analisa que o julgamento deve ser realizado pelo colegiado completo da Suprema Corte.
A decisão do magistrado ocorre após o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentar uma ação contra o humorista.
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O que aconteceu?
- O caso começou após a circulação, nas redes sociais, de que grupos evangélicos ligados ao senador queriam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O assunto repercutiu em 23 e 24 de setembro.
- Na noite do dia 24, Tabet publicou no X uma imagem da santa, com a frase “a família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. Segundo Dino, o post não citava nominalmente Flávio nem familiares.
- Embora a publicação não mencione a família do senador, ele entrou com representação no TSE alegando que a postagem trazia fato sabidamente inverídico, ódio racial e ligação com milícia.
- O ministro André Mendonça, que acatou a ação, determinou a remoção do post de Tabet e proibiu novas postagens de mesmo teor, com multa de R$ 30 mil por descumprimento.
- A ordem mirava publicações que tratassem como verdadeiro o boato de que Flávio ou sua família teriam proposto retirar o título de Padroeira, mas ressalvava críticas, sátiras e opiniões.
Decisão de Dino
Ao analisar o recurso de Tabet, Dino afirmou que seria preciso presumir que “família miliciana” se referia a Flávio para justificar a remoção, o que não teria segurança, sem instrução adequada.
O ministro alegou que o debate eleitoral deve permitir exposição crítica e que até declarações eventualmente errôneas podem estar protegidas, exceto em casos como racismo e incitação à violência.
Dino destacou ainda que o próprio debate sobre a Lei nº 6.802/1980, que tornou 12 de outubro feriado nacional em homenagem à santa e a reconhece como Padroeira, pode ocorrer na eleição.
Ainda segundo o magistrado, candidatos podem se posicionar contra convicções religiosas e defender mudança na lei, mas isso não pode ser impedido de ser informado e debatido.
A decisão cita ainda o PL nº 2.623/2007, do então deputado Victório Galli Filho, que propunha alterar o título de Padroeira, como parte do debate público já existente.
Com isso, Dino cassou a ordem de Mendonça, mandou as plataformas restabelecerem o post e citou como fundamento a ADPF 130, que trata da proteção constitucional à liberdade de imprensa e de expressão.


