Indignação seletiva: quem condena Alexandre de Moraes não pode absolver Flávio Bolsonaro

Vorcaro não distribuía dinheiro por caridade, objetivo era se aproximar, comprar influência, e, no momento apropriado, corromper. Crédito: Alvaro Gribel

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Uma fotografia de março de 2025 mostra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz durante uma viagem à África do Sul. A imagem, revelada pelo jornal O Globo, registra os três em um momento de descontração. Weverton e Willer são investigados no caso das fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), esquema que se tornou público em abril daquele ano, após a viagem.

Segundo a piauí, a fotografia foi compartilhada em 10 de março em um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”, formado por Flávio, Willer, Weverton e suas respectivas esposas. O grupo também reunia dezenas de registros de um safári realizado pelos integrantes, com imagens de elefantes e outros animais da savana. O material foi obtido pela Polícia Federal após a apreensão do celular de Weverton, no fim do ano passado, durante uma etapa da Operação Sem Desconto, que investiga as fraudes no INSS. O empresário Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos, também participava do grupo e aparece em outros registros da viagem.

Fotografia de março de 2025, revelada pelo jornal O Globo, mostra Flávio Bolsonaro ao lado do senador Weverton Rocha e do advogado Willer Tomaz, ambos investigados no caso da fraude no INSS Foto: Reprodução

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Em nota, Flávio ressaltou que a relação de amizade entre as famílias é legítima, “qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”, destacou.

Já Weverton afirma que Willer Tomaz é seu compadre e amigo há muitos anos, “Já fizemos várias viagens juntos em família. São relações privadas, que não envolvem dinheiro ou interesses públicos”, afirmou em nota. Questionado sobre a presença do Flávio na viagem, o senador não se manifestou.
Willer Tomaz também foi procurado pelo Estadão, mas não respondeu até o momento da publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Willer Tomaz é investigado sob suspeita de ter realizado operações de lavagem de dinheiro para Weverton e de ter colocado uma aeronave à disposição do senador. O advogado também esteve no radar da CPI da covid, que avaliou suspeitas relacionadas à negociação da vacina Covaxin, mas não teve o sigilo quebrado após Flávio Bolsonaro e aliados se posicionarem contra a medida.
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Na ocasião, Flávio chegou a se referir publicamente a Willer como “meu amigo”. Carlinhos, por sua vez, teve o indiciamento solicitado no relatório final da CPI por corrupção ativa e improbidade administrativa, diante de suspeitas envolvendo a VTCLog, empresa da qual é sócio, e um contrato com o Ministério da Saúde. O relatório apontou ainda indícios de superfaturamento de R$ 17 milhões.
Weverton foi alvo de busca e apreensão em 18 de dezembro, no âmbito da Operação Sem Desconto. Na ocasião, afirmou ter recebido a operação “com surpresa, mas com serenidade” e disse estar à disposição para prestar esclarecimentos após ter acesso integral à decisão judicial.
A relação entre Flávio e Willer também se estendeu a outros episódios. Documentos e relatos obtidos pelo Estadão, no dia 3 de abril deste ano, indicam que Flávio realizou ao menos duas viagens com a família em 2025 em jatinhos emprestados por empresários. Em 1º de maio, viajou para a Flórida com a esposa e Willer em um avião executivo de longo alcance emprestado por um empresário. Em outra ocasião, o destino foi o Rio de Janeiro, em uma aeronave pertencente ao próprio Willer Tomaz.Durante a campanha deste ano, Flávio também utilizou um apartamento de propriedade da empresa do advogado.
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