A Igreja Toraja Mamasa (em indonésio: Gereja Toraja Mamasa, GTM) é uma denominação reformada continental na Indonésia, organizada segundo o sistema de governo presbiteriano. Atua principalmente na região de Mamasa, nas terras altas do oeste da ilha de Sulawesi, e subscreve o Catecismo de Heidelberg como documento confessional.
História
Contexto religioso regional
Enquanto as áreas costeiras de Sulawesi foram amplamente islamizadas entre os séculos XVII e XIX, os habitantes das terras altas centrais permaneceram majoritariamente fiéis às suas religiões ancestrais. Essa diferença religiosa marcou profundamente o processo missionário cristão na região.
Primeira missão protestante Após 1910, a Igreja Protestante estabelecida nas Índias Orientais Holandesas iniciou trabalho missionário nas terras altas, enviando também pregadores para Mamasa e distritos vizinhos no sudoeste de Sulawesi Central. O primeiro batismo cristão na região ocorreu em 1913. Um pastor holandês, auxiliado por professores-pregadores amboneses e minahasa, atuou até 1928, empregando o método protestante então comum de batismos em massa como estratégia preventiva contra a islamização.
Missão reformada e reorganização Em 1928, a região foi assumida pela missão das Igrejas Cristãs Reformadas na Holanda, uma denominação calvinista conservadora. A missão foi reorganizada desde o início: os batismos anteriores foram reconhecidos, mas apenas aqueles que passaram por um intenso processo de educação religiosa foram considerados cristãos plenos. A organização eclesiástica foi estruturada de forma sistemática, de maneira semelhante ao campo missionário vizinho da GZB, que deu origem à Igreja Toraja. Os anciãos foram cuidadosamente selecionados e preparados antes da ordenação. Inicialmente, tanto a GZB quanto as Igrejas Cristãs Reformadas na Holanda pretendiam unir suas respectivas áreas missionárias em uma única igreja. Por volta de 1950, a igreja em Mamasa era considerada um sínodo regional da Igreja Toraja.
Autonomia e dificuldades Diversos fatores impediram a unificação definitiva, entre eles o prolongado isolamento da região causado pela ação de guerrilhas muçulmanas entre 1950 e 1965, período marcado por grande sofrimento. Em consequência, a Gereja Toraja Mamasa passou a se compreender como uma igreja independente. Após 1965, iniciou-se uma fase de reconstrução e consolidação institucional.
Desenvolvimentos recentes Por volta de 1982, a maioria das congregações da região norte de Galumpang separou-se, formando a Igreja Protestante no Sudeste de Sulawesi (Gereja Protestan Sulawesi Selatan). A GTM continuou a expandir seu trabalho nas áreas de educação, saúde — incluindo um hospital em Mamasa —, desenvolvimento agrícola e formação de leigos. Em 2021, dois membros da igreja, além de outros dois cristãos, foram decapitados, em ataques terrorista anti-cristão na Indonésia.
Estatísticas A GTM apresentou crescimento rápido desde a década de 1950. Em 1954, possuía cerca de 20.000 membros; em 1965, aproximadamente 40.000. No fim da década de 1990, estimava-se que a igreja contava com 80.000 membros distribuídos em 353 igrejas. Em 2006, foi estimado que a denominação tinha 120.000 membros. Em 2010, a denominação possuía 531 igrejas e cerca de 130.000 membros. Em 2022, dados indicam aproximadamente 580 igrejas e 140.000 membros.
Relações intereclesiásticas A Igreja Toraja Mamasa é membro da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas e da Comunhão das Igrejas na Indonésia.
Referências

