Belo Horizonte – O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) acolheu um recurso do Ministério Público e aumentou para 31 anos, 3 meses e 3 dias de prisão, além de 8 meses e 4 dias de detenção, a pena do advogado Artur Campos Rezende. Ele foi condenado por mandar matar a ex-esposa, Lilian Hermógenes, de 44 anos, em agosto de 2016, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.O caso teve grande repercussão na época. Lilian era servidora do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e trabalhava justamente na Promotoria de Defesa da Mulher. Após o assassinato, veio à tona que ela também era vítima de violência doméstica.A decisão, dessa quarta-feira (16/9), mais de 10 anos depois, manteve a pena de Alisson, apontado como executor do crime. Ele foi condenado a 23 anos e 4 meses de prisão, além de 8 meses e 16 dias de detenção. Leia também Minas GeraisMulher é encontrada morta após namorado deixar prédio com malas em MG Minas GeraisMulher morta ao negar beijo levou 15 facadas na frente do filho em MG BrasilMG: mulheres mortas em chacina dentro de padaria são sepultadas Segundo a nova decisão, Lilian foi assassinada em 23 de agosto, em frente à casa da mãe. O crime teria sido motivado pelo “inconformismo” de Artur com o fim do casamento, além de questões relacionadas à divisão de bens e à disputa pela guarda dos filhos.Para matar a ex-esposa, ele contratou Alisson e prometeu entregar um trator como pagamento.Na noite anterior ao assassinato, uma motocicleta foi roubada para ser usada no crime e evitar que veículos ligados aos envolvidos fossem identificados. Na manhã seguinte, quando Lilian saía para trabalhar, foi surpreendida por dois homens na motocicleta e atingida por tiros na cabeça.Depois do assassinato, a bolsa de Lilian foi levada para tentar fazer o crime parecer um latrocínio, ou seja, um roubo seguido de morte. A tentativa de alterar a cena e dificultar a investigação também resultou em condenação por fraude processual.Ao analisar o recurso, o TJMG entendeu que havia motivos para aumentar a pena de Artur. Entre eles, considerou o fato de ele ser advogado e, mesmo conhecendo as leis, ter usado sua condição profissional para ameaçar Lilian e desrespeitar decisões judiciais.O tribunal também levou em conta o planejamento do assassinato. Segundo a decisão, houve contratação de terceiros, acompanhamento da rotina de Lilian e até o roubo de uma motocicleta na véspera para ser usada no crime.O Metrópoles tenta contato com as defesas de Artur Campos Rezende e Alisson Caldeira de Oliveira. O espaço permanece aberto para manifestação.Casa Lilian Em homenagem à servidora, o MPMG criou, em agosto de 2023, o Centro Estadual de Apoio às Vítimas, batizado de Casa Lilian. A sede foi inaugurada em 9 de setembro de 2024, no bairro Cidade Jardim, região Centro-Sul de Belo Horizonte.O espaço oferece atendimento humanizado, apoio psicossocial e orientação jurídica a vítimas e familiares de crimes como homicídio, feminicídio, violência sexual, racismo e outros crimes de ódio.






