Na Mira

Unidade confirmou que a médica ginecologista e obstetra usou grupo de WhatsApp de profissionais da equipe para dar a ordem

Luis Fellype Rodrigues, Carlos Carone

07/10/2026 10:09

Reprodução

O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), onde a médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo orientou profissionais da unidade a não concederem alta a pacientes petistas durante o fim de semana de eleições, disse que a profissional foi afastada do cargo e que ela não voltará às atividades. A informação foi confirmada ao Metrópoles nesta terça-feira (7/10).
“A profissional foi afastada da escala e não retornará [às atividades]”, informou o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara.
O hospital também confirmou que Marcella utilizou um grupo interno de médicos no WhatsApp para dar a ordem. “As manifestações mencionadas ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes”, pontuou a unidade.
O centro de saúde declarou ainda que vai apurar internamente a conduta de sua profissional. “O hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade”.
Marcella Segato de Sousa Melo foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) por meio de uma denúncia apresentada pelo advogado Alan Henrique Silva Marques. O conteúdo das conversas teria sido encaminhado ao advogado por um interno de medicina subordinado à médica, que preferiu não ser identificado.
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“Não deem alta a ninguém, a maioria é petista”
As manifestações da médica em questão ocorreram na última sexta-feira (2/10), um dia antes do primeiro turno das eleições. A justificativa da profissional para impedir as altas hospitalares no período foi a suposta preferência política dos internados, afirmando que a maioria seria eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT).
Marcella Segato de Sousa Melo usou um grupo de WhatsApp formado por médicos da unidade para orientar que pacientes não recebessem alta. A mensagem foi enviada na tarde de sexta-feira (2/10), por volta das 16h58, e direcionada aos profissionais que estariam de plantão no sábado e no domingo.
“Boa sexta a todos. Quem estiver na enfermaria no domingo, não é para dar alta para ninguém, a maioria é petista”, escreveu.
A mensagem foi respondida por uma figurinha com o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro fazendo sinal de positivo. Outros 12 integrantes do grupo reagiram à mensagem com emojis de risada, joinha e bandeiras do Brasil.
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Antes disso, na quinta-feira (1º/10), a médica teria feito outras manifestações políticas no mesmo grupo. Entre elas, uma referência ao número 22, relacionado à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), e uma promessa de nota máxima no rodízio de medicina para estudantes que votassem no candidato.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que as denúncias relacionadas à médica “são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico”.


