Belo Horizonte — Foi na década de 1990 que pai e filho foram ao Cine Brasil, atual Cine Theatro Brasil, no Centro de Belo Horizonte, para assistir a “E.T. – O Extraterrestre”, de Steven Spielberg. A sessão, porém, terminou antes do previsto para eles. “Ele passou mal aqui nesse cinema”, lembrou Norberto Novais Oliveira, pai de André Novais Oliveira.Décadas depois, os dois voltariam ao mesmo cinema, com um novo encontro com “seres de outro mundo” — agora, em uma história deles próprios e uma noite bem diferente: a pré-estreia de “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, novo longa em que Norberto está como ator e dirigido por André Novais Oliveira, seu filho. O longa abriu, nessa terça-feira (22/9), a 20ª edição da CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte. Leia também Minas GeraisCineBH terá filmes na praça, “Central do Brasil” ao vivo e estreia mineira EntretenimentoFilme com Conceição Evaristo, Se Eu Fosse Vivo… Vivia abre Cine BH Minas GeraisFilme vencedor do Festival de Brasília foi filmado na Grande BH Minas GeraisBH virou set e empregou 860 pessoas em filmes na corrida pelo Oscar A sessão ocorreu poucos dias depois de o filme, produzido pela Filmes de Plástico, produtora de Contagem (Grande BH), sair do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com três prêmios: melhor longa-metragem pelo júri oficial, melhor roteiro e melhor figurino.Norberto relembrou o susto vivido anos atrás, quando o filho tinha seta anos e ainda nem sonhava em rodar um filme no local. “Tivemos que correr para o hospital daqui. Era apendicite. Ele ficou internado e tal. É assim, é a história da vida, né?”, brincou.Dessa vez, ninguém passou mal. A expectativa, porém, era grande, embora com a tranquilidade de quem estava em casa. “A ansiedade maior foi lá em Brasília, né? Aqui eu tô me sentindo em casa”, contou Norberto.Ele interpreta Gilberto na produção. Ao lado dele está uma grande estreia: a escritora mineira Conceição Evaristo, de 79 anos, um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea, que faz sua primeira atuação no cinema no papel de Jacira.Conceição seria homenageada, ao lado da cineasta paraguaia Paz Encina, com o Troféu Horizonte, mas perdeu uma conexão aérea e não chegou a tempo da cerimônia.Grande momento do cinema mineiro O cineasta André Novais Oliveira destacou o bom momento vivido pelo cinema mineiro que, neste ano, teve dois longas entre os seis finalistas para representar o Brasil no Oscar 2027: “Nosso Segredo”, de Grace Passô, e “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, também da Filmes de Plástico.“Eu acho que é um momento bem especial. O cinema mineiro está numa crescente, de quantidade, de potências. É muito bonito sentir isso acontecendo, ir aos sets, sentir a potência das histórias, dos roteiros”, disse. Ele também destacou o crescimento dos cursos e faculdades de cinema em Minas: “Acho que a gente está vivendo um momento muito bonito e que vai ter muito mais coisa ainda”, afirmou André.Apesar do momento de expansão, André aponta a distribuição como um dos principais desafios para que essas produções cheguem ao público.“Nosso Segredo”, por exemplo, foi filmado em BH conquistou três Kikitos no Festival de Gramado: Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte. O longa estreou nos cinemas em 27 de agosto. Em BH, porém, menos de um mês depois da estreia, o filme de Grace Passô seguia em cartaz em apenas uma sala de cinema.“A distribuição é sempre um fator bem difícil de avaliar, de entender, de decifrar como funciona. Mas, com certeza, falta mais incentivo para distribuição e falta mais incentivo para produção mesmo”, disse.A dificuldade de fazer essas produções chegarem ao público também foi apontada por Raquel Hallak, coordenadora-geral da CineBH. “Fazer cinema no Brasil não é fácil. Mais difícil ainda é fazer com que esses filmes cheguem ao público. Então, o nosso papel, dos festivais de Tiradentes, Ouro Preto e BH, é tornar esse espaço viável para mostrar tantas produções que não conseguem lugar no circuito comercial”, afirmou.A 20ª CineBH segue até domingo (27/9), com mais de 100 filmes brasileiros e estrangeiros, além de pré-estreias, debates e atividades de formação. Neste ano, a mostra tem como tema “Cinema Latino-Americano: O que será?” e coloca em discussão justamente os caminhos da produção e da circulação de filmes no continente diante das dificuldades: “Vivemos um momento de enorme potência criativa, com novas vozes, territórios e formas de narrar”, afirmou Raquel.Serviço20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo HorizonteQuando: até 27 de setembroOnde: Praça da Liberdade, Cine Theatro Brasil, Cine Humberto Mauro, Cine Belas Artes, Cine Santa Tereza e outros espaços de BHEntrada: gratuita, com exceção do Cine-Concerto “Central do Brasil”Programação: no site da CineBH.

Conceição Evaristo estreia como atriz no cinema em “Se Eu Fosse Vivo... Vivia” e foi uma das homenageadas da 20ª CineBH, ao lado da cineasta paraguaia Paz Encina
Conceição Evaristo estreia como atriz no cinema em “Se Eu Fosse Vivo... Vivia” e foi uma das homenageadas da 20ª CineBH, ao lado da cineasta paraguaia Paz Encina · Imagem: Larissa Ricci/ Metrópoles
Pai e filho voltam com filme próprio a cinema onde viram E.T nos anos 1990
Pai e filho voltam com filme próprio a cinema onde viram E.T nos anos 1990 · Imagem: Source: www.metropoles.com
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