Em 22 de junho de 2026, um experimento nos Alpes suíços trocou parte das coberturas sintéticas por lã de ovelha. A equipe colocou dois quadrados de 100 m² sobre o Glacier 3000. Meses depois, a proteção pareceu comparável ao geotêxtil convencional, mas o teste também expôs o limite dessa estratégia diante do recuo das geleiras.

Como 200 metros quadrados de lã foram parar sobre uma geleira suíça?

Os 200 metros quadrados de lã surgiram de um teste chamado Keep It Wool, coordenado pela Summit Foundation com participação da Universidade de Lausanne. Em 22 de junho de 2026, a equipe instalou dois protótipos de 10 por 10 metros no Glacier 3000, em Les Diablerets. Cada cobertura tinha espessura diferente, enquanto um terceiro quadrado, feito de geotêxtil sintético, servia como comparação direta.

Segundo a Summit Foundation, os pesquisadores mediram o derretimento a cada duas semanas até setembro, durante praticamente todo o verão do teste. Estacas centrais acompanharam a perda, enquanto a Universidade de Lausanne registrou que Tsanfleuron e Scex-Rouge se separaram em 2022 após temperaturas extremas. Segundo a universidade, o passo entre eles apareceu pela primeira vez em mais de dois milênios, reforçando o contexto de recuo acelerado naquele verão.

🏛️ 2021: Estudo do WSL mede o efeito das coberturas sintéticas em geleiras suíças.

🌿 22 de junho de 2026: Dois protótipos de lã, com 100 m² cada, entram em teste no Glacier 3000.

🚀 Setembro de 2026: Observações iniciais apontam proteção comparável à do geotêxtil convencional.

A lã realmente fez o gelo derreter menos?

Lã e geotêxtil lado a lado sobre o gelo alpino - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

As observações iniciais indicaram que sim, mas os responsáveis ainda tratam o resultado como preliminar, e não como resultado final. Ao fim do verão, os dois protótipos de lã ofereceram proteção comparável à cobertura sintética usada como controle nas condições observadas. Porém, a própria equipe informou que os dados coletados ainda precisavam passar por análise detalhada antes de qualquer comparação percentual ou conclusão definitiva.

Por isso, o experimento não prova que a lã de ovelha substitui definitivamente os geotêxteis atuais em qualquer escala. O projeto também questiona coberturas de poliéster ou polipropileno, pois desgaste, vento e precipitação podem desprender fibras ao ambiente e atingir águas de montanha. Ao mesmo tempo, a lã oferece uma alternativa natural, renovável e biodegradável, com isolamento térmico e potencial para uma cadeia local na Suíça.

Por que a lona plástica já é usada nas geleiras suíças?

As coberturas brancas reduzem o derretimento local porque refletem parte da radiação solar e limitam trocas de calor durante o verão alpino. Um levantamento do Instituto Federal Suíço de Pesquisa WSL mostrou que a técnica já operava em diferentes pontos dos Alpes já em 2021. No estudo, áreas protegidas registraram cerca de 60% menos derretimento de neve e gelo do que superfícies vizinhas descobertas.

A história começou antes: o WSL registra cobertura parcial na Zugspitze desde 1993, enquanto o Gurschenfirn suíço recebe proteção desde 2004. No glaciar do Ródano, a maior área coberta citada pelo instituto chegava a 50 mil m² para preservar uma gruta turística artificial. Em escala nacional, os pesquisadores calcularam até 350 mil metros cúbicos de gelo preservados anualmente nas áreas estudadas naquele levantamento.

O número de 0,02% muda o tamanho da história

A cobertura funciona localmente, mas ocupa uma fração minúscula das geleiras suíças. O estudo do WSL encontrou 0,18 km² de geotêxteis, equivalentes a 0,02% da área glacial suíça, uma medida de superfície, não de volume. A Summit Foundation repetiu essa proporção em 2026, mas a página do projeto não apresenta um novo levantamento nacional independente para aquele ano.

Essa limitação também aparece nos cálculos do WSL, que apontaram custos de 0,60 a 7,90 francos por metro cúbico preservado, dependendo do local. Para cobrir todas as geleiras do país, a estimativa ultrapassava 1 bilhão de francos suíços por ano num cenário hipotético. Portanto, mesmo uma operação desse tamanho apenas retardaria o recuo, sem eliminar a causa maior ligada ao aquecimento contínuo da atmosfera.

Escala

O que os dados mostram

Lã em teste

200 m² em dois protótipos, com resultado inicial comparável ao geotêxtil.

Geotêxteis na Suíça

Cerca de 0,02% da área glacial estava coberta no levantamento científico publicado em 2021.

O que o teste realmente demonstra

O experimento suíço mostra que uma cobertura de lã pode proteger neve e gelo de forma semelhante ao geotêxtil durante um teste de verão. Porém, seu alcance permanece local, e os resultados ainda precisam de análise completa para medir vantagens e limitações materiais. Ao encontrar imagens de geleiras cobertas, vale observar a escala e perguntar quanto daquele gelo realmente recebe proteção. Assim, a curiosidade revela uma tentativa engenhosa, mas também os limites concretos de intervir sobre um fenômeno muito maior.

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