O sistema de escrita árabe é o sistema de escrita usado para árabe (alfabeto árabe) e diversas outras línguas da África e Ásia. É o segundo sistema de escrita alfabético mais usado no mundo (logo após o alfabeto latino), o segundo sistema de escrita mais usado no mundo por número de países que utilizam e o terceiro mais usado por número de pessoas (logo após os sistemas de escrita latino e chinês). Esse sistema de escrita foi usado primeiramente para escrever textos em árabe, mais notavelmente o Alcorão, o livro sagrado do Islã. Com a propagação da religião, começou a ser usado como principal sistema de escrita para muitas famílias linguísticas, levando à adição de novas letras e símbolos. As línguas que usam são: árabe, persa (farsi e dari), urdu, uigur, curdo, pastó, panjabi (Shahmukhi), sindi, azeri (torki ou turco no Irã), malaio (jawi), para javanês, sundanês, madurês e indonésio usa-se o sistema de escrita pegon, balti, balúchi, luri, caxemíri, cham (Akhar Srak), rohingya, somali, mandinga, more, entre outros. Até o século XVI, também era usado para alguns textos em espanhol e — antes da reforma da escrita de 1928 — era o sistema de escrita do turco. O sistema é escrito da direita para a esquerda em um estilo cursivo, em que a maioria das letras são escritas de formas ligeiramente diferentes dependendo se estão isoladas ou conectadas à letra precedente ou posterior. A escrita é caixa única, ou seja, não faz diferença entre maiúsculas e minúsculas. Na maioria dos casos, as letras transcrevem apenas as consoantes ou as consoantes e poucas vogais. Assim, a maioria das línguas que usam a escrita árabe é abjad, porém é algumas usam o alfabeto, como o dialeto sorani do curdo, caxemíri, gorani, uigur, mandarim (Xiao'erjing) e servo-croata (Arebica). O sistema de escrita é a base para a tradição da caligrafia árabe.

História

O alfabeto árabe foi derivado do alfabeto nabateu ou (menos popularmente aceito) diretamente do alfabeto siríaco, ambos derivados do alfabeto aramaico que, por sua vez, descende do alfabeto fenício. A escrita fenícia também deu à luz o alfabeto grego e por consequência, ao alfabeto cirílico e ao latino, usados nas Américas e na Europa.

Origens No sexto e no quinto século a.E.C., tribos do norte da Arábia migraram e fundaram um reino centralizado ao redor de Petra, Jordânia. Esse povo (a partir de então chamado de nabateu por causa de uma das tribos, Nabatu) falava árabe nabateu, um dialeto da lígua árabe. No segundo e no primeiro século a.E.C., os primeiros registros conhecidos do alfabeto nabateu foram escritos na língua aramaica que era a língua comum para comunicação e comércio, mas incluia algumas características da língua árabe. Ou seja, os nabateus escreviam em aramaico e conversavam em árabe. Escreviam numa forma de alfabeto aramaico que continuava a se desenvolver até se separar em duas formas de escrita: uma para inscrições (conhecida como "nabateu monumental") e a outra, mais cursiva, apressada e com as letras unidas às outras, para escrita no papiro. Essa forma de escrita cursiva influenciou a forma monumental aos poucos a gradualmente se tornou o alfabeto árabe.

Visão Geral O sistema de escrita árabe foi adaptado para ser usado em uma variedade de línguas além do árabe, incluindo o persa, malaio e urdu, que não são semíticas. Tais adaptações talvez exibam letras novas ou alteradas para representar fonemas que não aparecem na fonologia árabe. Por exemplo, a língua árabe não contem a oclusiva bilabial surda (o som do [p]), portanto, muitas línguas adicionam suas próprias letras ou modificam alguma letra árabe para representar [p] na escrita. Essas modificações geralmente podem ser separadas em grupos: línguas indianas e turcomanas que utilizam o sistema de escrita árabe tendem a a usar as letras modificadas persas, enquanto as línguas indonésias tendem a imitar às do jawi. A versão modificada do sistema de escrita árabe originalmente designada para o persa é conhecida como escrita perso-árabe por estudiosos. Quando o sistema de escrita árabe é utilizado para escrever em servo-croata, sorâni, caxemira, mandarim ou uigur, escrever todas as vogais é obrigatório. O sistema de escrita árabe pode, portante, ser usado como um alfabeto completo, apesar de a escrita ser fortemente, e talvez erroneamente, chamada apenas de abjad por ser utilizada originalmente apenas para o árabe. O uso do sistema de escrita árabe na África Ocidental, especialmente no Sahel, se desenvolveu com a propagação do Islã. Até certo ponto, o estilo e uso tende a seguir os do Magrebe (por exemplo, a posição dos pontos nas letras fāʼ and qāf). Diacríticos adicionais vieram a ser usados para facilitar a escrita de sons que não estão na língua árabe. O termo ʻAjamī, que vem da raiz árabe para "estrangeiro", é utilizado em ortografias de línguas africanas baseadas na escrita árabe.

Tabela de estilos de escrita

Uso atual Hoje em dia, o Irã, Afeganistão e Paquistão são os principais estados que não utilizam árabe como língua principal e que utilizam do sistema de escrita árabe para escrever uma ou mais de suas línguas oficiais, incluindo azeri, balúchi, brauí, persa, pastó, sorâni, urdu, sindi, caxemira e panjabi. [carece de fontes]?

Uso antigo Com o estabelecimento do domínio islâmico no subcontinente indiano, uma ou mais formas de escrita árabe foram incorporadas à variedade de formas de escritas já usadas para escrever as línguas nativas. No século XX, a escrita árabe foi usada de maneira geral para substituir o alfabeto latino nos Bálcãs,[carece de fontes]? partes da África subsariana e Sudeste Asiático, enquanto o uso do cirílico era obrigatório na União Soviética, após um breve período de latinização. A Turquia mudou para o alfabeto latino em 1928 como parte de uma revolução interna ocidental. Depois do colapso da União Soviética em 1991, muitas línguas túrquicas da antiga URSS tentaram seguir a liderança da Turquia em se converter para o estilo turco do alfabeto latino. Um uso renovado da escrita árabe aconteceu de maneira limitada no Tajiquistão, cuja lingua oficial se assemelha ao persa, o que permite o uso direto de publicações do Afeganistão e do Irã.

Unicode Até o Unicode 17.0, os seguintes parâmetros encobrem caracteres árabes:

Árabe (0600–06FF) Suplemento Árabe (0750–077F) Árabe estendido-A (08A0–08FF) Árabe estendido-B (0870–089F) Árabe estendido-C (10EC0–10EFF) Formas de apresentação Árabe-A (FB50–FDFF) Formas de apresentação Árabe-B (FE70–FEFF) Símbolos Matemáticos Alfabéticos Árabes (1EE00–1EEFF) Símbolos de Numerais Rumi (10E60–10E7F) Números Siyaq Índicos (1EC70–1ECBF) Números Siyaq Otomanos (1ED00–1ED4F)

Formação de letras A maioria das línguas que utilizam alfabetos baseados no Sistema de escrita árabe utilisam das mesmas formas bases. A maioria das letras adicionais nessas línguas são formadas pela adição (ou remoção) de diacríticos das letras árabes existentes. Alguns estilos diferentes de escrita do árabe podem ter significados diferentes em outras línguas. Por exemplo, formas variantes do kāf ( ك ک ڪ ) são usadas em algumas línguas para usos específicos diferentes. Em urdu e algumas línguas vizinhas, a letra Hā se dividiu em duas formas: dō-čašmī hē ( ھ ) e gōl hē ( ہ ہـ ـہـ ـہ ), enquanto a forma variante da letra yā ( ي ) chamada de baṛī yē ( ے ) é usada no final de algumas palavras.

Veja também Língua árabe Algarismos arábicos orientais (formatos para digitos geralmente usados com a escrita árabe) Romanização do árabe

Referências