Vinicius Passarelli

Candidato a deputado estadual pelo PL, Danilo Morgado é alvo do MPSP por suspeita de envolvimento no núcleo político do PCC

Vinicius Passarelli
18/09/2026 04:30
Redes sociais/Divulgação.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) liberou a candidatura a deputado estadual de Danilo Morgado (PL) seis dias antes de o político ser preso pela Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP). As investigações apontam ligação do candidato com o núcleo político do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Morgado também foi candidato à prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, em 2024. A polícia investiga indícios de que a campanha dele ao pleito municipal teria sido financiada pela facção criminosa.
De acordo com o MPSP, o candidato também foi alvo de mandado de busca e apreensão da Operação Decurio, contra um núcleo específico do PCC com vistas a infiltrar pessoas nas últimas eleições municipais. A defesa de Morgado nega irregularidades na campanha ou “qualquer tipo de envolvimento com o crime organizado”.
A Justiça Eleitoral havia dado um provimento parcial a um pedido de impugnação da candidatura de Danilo Morgado após pedido da Procuradoria Regional Eleitoral e indeferido seu pedido de candidatura a deputado estadual.
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A justificativa era a ausência do pagamento de multas aplicadas ao político nas eleições de 2022, quando Morgado foi candidato a deputado federal pelo Solidariedade.
Após entrar com embargos de declaração, na última sexta-feira (11/9), o candidato conseguiu reverter a decisão no TRE e teve a candidatura liberada. De acordo com a Justiça Eleitora, Danilo Morgado recebeu até o momento R$ 162,4 mil do Fundo Eleitoral do PL para a campanha.
“É com muita alegria que compartilho com vocês uma notícia muito importante: nossa candidatura foi deferida. Esse é mais um passo nessa caminhada que nasceu do desejo de representar, ouvir e lutar pela nossa cidade e região”, afirmou o candidato em publicação nas redes sociais.
Operação Vectura Corrupta
Deflagrada peplo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil nesta quinta-feira (17/9), a Operação Vectura Corrupta mira um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) com empresas de transporte público no estado.
Ao todo, as autoridades cumprem 16 mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos, está o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União).
A operação desta quinta-feira é um desdobramento de outra operação, deflagrada em agosto de 2024 e batizada de Decúrio. Na ocasião, as autoridades identificaram uma rede de comunicação entre integrantes da PCC e trocas de mensagens sobre a atuação do grupo.
A investigação cita a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na Capital e no interior”. No município de São Paulo, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais.
Os criminosos também utilizariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que seriam integrantes do PCC. Além disso, o grupo também teria promovido ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos.
O que dizem os envolvidos
O Metrópoles tenta contato com os investigados. Por telefone, Milton Leite negou envolvimento no esquema e afirmou que se apresentará às autoridades dentro de 24 horas. A defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou que foi surpreendida com a notícia da prisão e que aguarda acesso aos autos para adotar as medidas cabíveis.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
A prefeitura informou ainda que abriu processo pela Controladoria Geral do Município contra as empresas e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
Também em nota, a Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar os desdobramentos das investigações promovidas pelo MPSP, em conjunto com a Polícia Civil e o Poder Executivo, e aguarda as conclusões.
