Denúncias podem ser feitas nas próprias plataformas, pela SaferNet e pelo Disque 100; a seguir, veja como denunciar e quais cuidados tomar ao encontrar conteúdo ilegal

Denunciar abuso infantil pelas redes sociais é possível todas as plataformas e vem se tornando uma necessidade cada vez mais latente. Recentemente, uma investigação do g1 revelou que criminosos têm usado plataformas como TikTok e o Telegram para divulgar e direcionar usuários a conteúdos de abuso sexual infantil. Diante desse tipo de publicação, saber como agir é importante para denunciar o crime sem contribuir para a circulação do material.

Ao TechTudo, Camila Betanin, advogada especialista em Direito Digital, explica que imagens e vídeos não devem ser baixados, salvos ou compartilhados, mesmo com a intenção de denunciar. A seguir, veja o que fazer ao encontrar conteúdo suspeito na internet.

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Viu algo suspeito nas redes? Saiba como agir e denunciar abuso infantil — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

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Índice

- O que fazer ao encontrar conteúdo ilegal nas redes

- Posso tirar print ou salvar o link?

- Como denunciar no TikTok, Telegram e outras redes

- Quando procurar a polícia ou o Disque 100?

- Como proteger crianças e adolescentes nas redes

O que fazer ao encontrar conteúdo ilegal nas redes?

Ao se deparar acidentalmente com imagens, vídeos ou publicações que indiquem abuso ou exploração sexual de crianças ou adolescentes, a orientação é sair do conteúdo e denunciá-lo. Não é preciso continuar navegando pelo perfil, grupo ou canal para tentar confirmar a suspeita. A SaferNet também orienta a não salvar nem compartilhar o material encontrado.

Interagir com as contas envolvidas pode ainda interferir no que acontece depois da denúncia. “Qualquer interação pode alertar o criminoso, que apaga tudo e recomeça em outro lugar minutos depois”, explica Camila. Entrar em outros perfis, grupos ou canais para tentar investigar o caso por conta própria também deve ser evitado.

Ainda segundo a advogada, quem encontra o material por acaso não comete, apenas por isso, o crime de acesso ou visualização previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Desde agosto, a Lei nº 15.487/2026 prevê punição quando a pessoa acessa ou visualiza esse tipo de conteúdo “com a finalidade de satisfazer a própria lascívia ou de outrem”.

Se encontrar conteúdo ilegal nas redes, a orientação é fechar a publicação e denunciá-la — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Posso tirar print ou salvar o link?

Não. Ao encontrar esse tipo de conteúdo, o mais seguro é registrar onde ele está, sem criar ou guardar uma cópia do material. Isso significa que o link da publicação, perfil, grupo ou canal pode ser copiado, enquanto prints que reproduzam imagens ou vídeos de abuso sexual infantil devem ser evitados. A SaferNet segue essa lógica em sua Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos; o formulário solicita a URL da página denunciada, sem exigir uma cópia do arquivo.

Além do endereço, Camila recomenda anotar informações como o @ do perfil, o nome do grupo ou canal, a plataforma e a data e hora em que o conteúdo foi encontrado. O ID numérico da conta também pode ser registrado, quando estiver disponível. Se um perfil em uma rede social direcionar para um grupo ou canal em outra plataforma, vale guardar os dois links.

Uma conversa direta com a conta suspeita também pode trazer informações úteis para a denúncia. Nesse caso, as mensagens de texto podem ser preservadas, mas as mídias recebidas não devem ser baixadas. O objetivo é manter os dados que permitam localizar e identificar a origem do conteúdo sem armazenar o próprio material.

Segundo advogada, não é recomendado tirar print ou salvar link do conteúdo ilegal — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

Há ainda uma questão legal por trás desse cuidado. O artigo 241-B do ECA prevê pena de três a seis anos de reclusão e multa para quem adquirir, possuir, armazenar ou solicitar registros de violência sexual contra crianças e adolescentes. A lei estabelece exceções para determinados agentes públicos, entidades e provedores que precisam preservar o material para comunicar o crime. “O cidadão comum, portanto, não está protegido”, explica Camila.

O mesmo cuidado vale na hora de alertar outras pessoas. Encaminhar o conteúdo para amigos, familiares ou grupos também amplia sua circulação, mesmo quando essa não é a intenção. O artigo 241-A pune a transmissão, distribuição, publicação e divulgação desse tipo de registro. Se a ideia for denunciar ou alertar sobre um perfil suspeito, portanto, o material ilegal não deve ser reproduzido.

Como denunciar no TikTok, Telegram e outras redes

TikTok

- Toque no botão Compartilhar no conteúdo suspeito;

- Clique em Relatar;

- Selecione Nudez e conteúdo sexual como motivo da denúncia;

- Leia as instruções exibidas na tela;

- Toque em Enviar para concluir.

Veja como denunciar conteúdo ilegal no TikTok — Foto: Reprodução/Diego Cataldo

Telegram

- No grupo em que está o conteúdo suspeito, toque nos três pontinhos no canto superior direito;

- Selecione Denunciar;

- Toque em Abuso infantil;

- Selecione Abuso sexual infantil;
- Se desejar, escreva um breve relato sobre o conteúdo;
- Toque em Enviar Denúncia para concluir.
O Telegram também recebe denúncias relacionadas a abuso sexual infantil pelo e-mail stopCA@telegram.org.
Veja como denunciar conteúdo ilegal no Telegram — Foto: Reprodução/Diego Cataldo
- Toque nas duas listras no canto superior direito da publicação e selecione Denunciar;
- Em seguida, marque Nudez ou atividade sexual como o motivo da denúncia;
- Na tela seguinte, clique na opção Parece ser exploração sexual;
- O Instagram vai perguntar se o conteúdo envolve alguém que parece ser menor de idade. Clique em Sim;
- Veja os detalhes da denúncia e clique em Enviar.
Veja como denunciar conteúdo ilegal no Instagram — Foto: Reprodução/Diego Cataldo
YouTube
- No YouTube, abra o vídeo ou Shorts;
- Toque nos três pontinhos horizontais (em vídeo) ou nos três pontinhos verticais (nos Shorts) e clique em Denunciar;
- Escolha Abuso infantil como motivo da denúncia e clique em Avançar;
- Descreva um relato (se quiser) e toque em Denunciar.
Veja como denunciar conteúdo ilegal no YouTube — Foto: Reprodução/Diego Cataldo
Denunciar dentro da própria rede social tem uma função imediata. “A denúncia na plataforma serve para interromper a circulação imediatamente”, explica Camila. A identificação dos responsáveis e de possíveis vítimas, por outro lado, depende da atuação das autoridades. Por isso, a especialista recomenda que o caso também seja comunicado pelos canais oficiais.
Quando procurar a polícia ou o Disque 100?
Existem diferentes caminhos para comunicar casos de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes, e a escolha depende da situação. Quando o problema é um conteúdo ilegal disponível na internet, uma das opções é a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet. O serviço recebe denúncias anônimas a partir do endereço da página, publicação, perfil, grupo ou canal e pode encaminhá-las às autoridades competentes.
O Disque 100 tem uma atuação mais ampla e recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo situações envolvendo crianças e adolescentes. O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e o relato pode ser feito de forma anônima. A ligação para o número 100 é gratuita. Também há atendimento pelo WhatsApp (61) 99611-0100 e pelo Telegram, no perfil DireitosHumanosBrasil.
Veja quando procurar a polícia ou o Disque 100 para fazer uma denúncia — Foto: Mariana Saguias/TechTudo
Situações de emergência exigem outro caminho. Se uma criança ou adolescente estiver em risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. Casos que envolvam crimes praticados pela internet também podem chegar às autoridades policiais para investigação. A Polícia Federal atua no combate a crimes cibernéticos, incluindo situações de abuso sexual infantojuvenil online que estejam dentro de suas atribuições.
O ECA Digital, em vigor desde março de 2026, também estabelece responsabilidades para as plataformas diante de conteúdos de aparente exploração ou abuso sexual de crianças e adolescentes. Nesses casos, os provedores devem remover o material, comunicar a ocorrência às autoridades competentes e preservar informações relacionadas ao caso.
Como proteger crianças e adolescentes nas redes?
Parte da prevenção passa pelas próprias configurações disponíveis nas redes sociais. As plataformas oferecem recursos gratuitos para restringir contatos, mensagens e comentários, controlar a exposição a determinados conteúdos e acompanhar contas de crianças e adolescentes. Vale ressaltar que as ferramentas podem reduzir alguns riscos, mas não impedem todas as formas de abordagem ou exposição.
No TikTok, o Pareamento Familiar permite vincular a conta de um responsável à do adolescente. Entre as opções disponíveis estão controles sobre mensagens diretas, comentários, pesquisa e tempo de uso. O Modo Restrito também ajuda a limitar a exibição de determinados conteúdos.
O Instagram oferece Contas de Adolescente, que aplicam proteções mais rígidas de privacidade, contato e conteúdo sensível. Pelas ferramentas de supervisão, responsáveis também podem estabelecer limites de uso e acompanhar determinadas informações da conta sem ter acesso ao conteúdo das mensagens.
Meta orienta como pais devem conversar com crianças sobre o assunto — Foto: Shutterstock
No Facebook e Facebook Messenger, adolescentes contam com proteções voltadas a privacidade e contatos. A Meta reúne ferramentas de acompanhamento de suas redes sociais na Central da Família, onde pais e responsáveis podem acessar os recursos de supervisão disponíveis para contas vinculadas.
No YouTube, contas supervisionadas permitem definir os níveis de conteúdo disponíveis e bloquear canais. Essas e outras configurações podem ser administradas pela Central da Família do YouTube ou pelo Google Family Link.
As configurações funcionam melhor quando acompanhadas de orientação sobre o que fazer diante de uma abordagem suspeita. Crianças e adolescentes podem ser ensinados a bloquear e denunciar contas e a procurar um adulto de confiança caso recebam pedidos de imagens íntimas, ameaças ou mensagens que provoquem desconforto.
Com informações de Safernet, Gov.BR (1, 2, 3, 4 e 5), TikTok, Telegram, Meta (1, 2 e 3) e Suporte Google (1, 2, 3 e 4)
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