Você provavelmente já ouviu falar do wrestling, modalidade com forte tradição nos Estados Unidos, presente no esporte universitário e capaz de abrir caminho para bolsas de estudo em universidades norte-americanas. No Brasil, porém, muita gente ainda confunde o esporte com a luta livre brasileira ou até com o wrestling da WWE, voltado ao entretenimento e com combates roteirizados.O wrestling esportivo é diferente. Trata-se de uma modalidade baseada em força, técnica, controle corporal e estratégia. Sem socos ou chutes, os atletas utilizam quedas, projeções e técnicas de domínio do adversário.Uma das principais diferenças em comparação ao jiu-jítsu está justamente no objetivo. No wrestling, o atleta busca derrubar e controlar o oponente, podendo vencer ao colocar os dois ombros do adversário no chão ou pela pontuação.Já no jiu-jítsu, além do controle posicional, existe a busca pela finalização com chaves articulares e estrangulamentos. Apesar das diferenças, as duas modalidades podem se complementar.Essa relação também aparece no MMA. Khabib Nurmagomedov, por exemplo, começou no wrestling ainda criança e posteriormente desenvolveu outras modalidades de luta agarrada antes de encerrar a carreira invicto, com 29 vitórias. A capacidade de derrubar e controlar o adversário se tornou uma das principais características de seu estilo.O wrestling é uma das formas de combate mais antigas conhecidas. Há registros da prática entre os sumérios há cerca de 5 mil anos e representações também no Antigo Egito. A modalidade entrou nos Jogos Olímpicos da Antiguidade em 708 a.C. e a luta greco-romana esteve presente já na primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos, em 1896.Atualmente, fundamentos do wrestling também aparecem em academias brasileiras de jiu-jítsu, principalmente para desenvolver uma área importante do combate: a luta em pé.Para entender melhor essa relação, fomos até uma academia de jiu-jítsu na Vila Medeiros, na zona norte de São Paulo, conversar com Juliano Marinangelo, conhecido na modalidade como Juliano “Alicate”.Campeão mundial e competidor da categoria Master, ele incluiu aulas específicas de wrestling na grade da academia para trabalhar o grappling dos alunos.Segundo Juliano, o treinamento pode beneficiar desde iniciantes até atletas experientes, mesmo aqueles que não pretendem competir no MMA.O wrestling também ajuda o lutador a entender quando buscar uma queda e, principalmente, como evitar ser derrubado. Juliano pratica a modalidade desde 2018 e cita o professor Edson Kudo como uma figura importante nesse processo de aprendizado.Uma das vantagens do wrestling aplicado ao jiu-jítsu está na possibilidade de influenciar a posição em que o combate vai para o chão.Para quem prefere passar a guarda, conseguir uma queda pode significar começar a disputa por cima. Para quem costuma jogar por baixo, conhecer wrestling também amplia a capacidade de defender quedas e reagir às movimentações do adversário.É importante destacar, porém, que o wrestling olímpico possui regras e objetivos próprios. Quando suas técnicas são incorporadas ao jiu-jítsu, elas precisam ser adaptadas às características do esporte.Para Juliano, os benefícios vão além das quedas.Um exemplo aparece nos chamados “scrambles”, momentos de transição rápida em que os dois atletas disputam uma posição. Nessas situações, equilíbrio, explosão, consciência corporal e capacidade de não permanecer com as costas no chão podem fazer diferença.A relação fica ainda mais evidente no jiu-jítsu No-Gi, disputado sem kimono. Sem o tecido para estabelecer pegadas, o controle depende diretamente do corpo do adversário.Punhos, braços, cabeça, pescoço e quadris passam a ter papel fundamental, aproximando ainda mais alguns movimentos dos fundamentos utilizados no wrestling.Juliano observa que alguns atletas desenvolvem um jogo muito especializado por baixo e acabam encontrando dificuldades quando precisam disputar uma posição em pé ou lutar por cima. Nesse cenário, o wrestling funciona como uma ferramenta adicional.Mais do que substituir técnicas do jiu-jítsu, a proposta é ampliar o repertório.Saber derrubar, defender quedas, controlar o adversário em pé e reagir rapidamente durante as transições oferece ao lutador mais alternativas durante uma competição.Juliano atribui parte de sua evolução competitiva à incorporação do wrestling aos treinamentos. A experiência mostra como modalidades diferentes podem se complementar e ajudar o atleta a se preparar para situações que antes estavam fora de sua zona de conforto.No fim, essa talvez seja a principal contribuição do wrestling para o jiu-jítsu: não mudar a essência da modalidade, mas acrescentar novas respostas para os problemas que aparecem durante uma luta.OSS! 🥋*Vinicius Prado é radialista e editor de imagem na RECORD e pratica de jiu-jítsu e wrestling ✅Não perca nenhum lance! Siga o canal de esportes do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp
























