As falhas graves de segurança no PHP, que provocaram um alerta mundial nesta quarta-feira (21), também levaram órgãos públicos brasileiros a suspender serviços digitais. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou ao Canaltech que retirou temporariamente do ar seu Sistema Eletrônico de Informações (SEI) por causa das vulnerabilidades. A medida também atingiu outros tribunais brasileiros. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu o acesso externo ao SEI, enquanto a Justiça Federal da 4ª Região interrompeu o acesso a sistemas digitais. Em Minas Gerais, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) também suspendeu o expediente e os prazos processuais diante de problemas em seus sistemas, segundo o portal O Fator. As interrupções ocorrem após a descoberta de duas vulnerabilidades críticas no PHP , linguagem de programação utilizada por grande parte dos sites da internet. Os problemas podem permitir que criminosos executem comandos maliciosos em servidores sem precisar de autenticação. Por que a Anatel tirou o SEI do ar? Em resposta ao Canaltech , a Anatel confirmou que a suspensão está diretamente relacionada às vulnerabilidades descobertas no PHP . "O caso não se trata de uma falha ou vulnerabilidade inerente ao SEI. A indisponibilidade temporária do serviço está relacionada a uma vulnerabilidade recente identificada no próprio PHP", explicou a agência. A Anatel acrescentou que outros sistemas executados em ambientes PHP também podem ser afetados, incluindo plataformas como Moodle e Joomla. O SEI é utilizado por empresas, advogados e cidadãos para acompanhar processos administrativos, enviar documentos, apresentar petições e realizar assinaturas eletrônicas junto à agência reguladora. Com a suspensão do acesso externo, essas atividades podem ficar temporariamente indisponíveis. A medida não significa que as redes de telefonia e internet do Brasil tenham sido afetadas, já que o SEI é uma ferramenta administrativa da Anatel . A agência também anunciou a suspensão de outros serviços digitais, mas não detalhou quais foram afetados nem informou uma previsão de restabelecimento. Quais outros serviços foram suspensos no Brasil? Além da Anatel, órgãos da Justiça Federal anunciaram interrupções preventivas nesta quarta-feira. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmou que suspendeu temporariamente o acesso externo ao SEI em razão das vulnerabilidades do PHP. Segundo o tribunal, a medida segue uma recomendação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e busca proteger os sistemas e as informações institucionais. Não há previsão para o restabelecimento do serviço. Já a Justiça Federal da 4ª Região, que atende Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, anunciou a interrupção temporária do acesso externo aos seus sistemas a partir das 11h desta quarta-feira. As ferramentas continuariam funcionando normalmente nas dependências do órgão. Em Minas Gerais, o TRF6 foi além e suspendeu o expediente e os prazos processuais em toda a Justiça Federal do estado, segundo reportagem do portal O Fator. Entre os sistemas com problemas estão: Segundo a publicação, a decisão foi tomada diante da necessidade de medidas emergenciais de segurança relacionadas às vulnerabilidades do PHP. Até o momento, não há confirmação de invasões aos sistemas desses órgãos. As suspensões anunciadas têm caráter preventivo. Governo federal recomenda atualização urgente do PHP O Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov), ligado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, também publicou um alerta oficial nesta quarta-feira (21). O órgão recomenda que instituições identifiquem sistemas que utilizam PHP e instalem imediatamente as versões corrigidas da linguagem. Caso não seja possível aplicar as atualizações, a orientação é avaliar a suspensão temporária do acesso externo às aplicações vulneráveis. As falhas, identificadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, receberam nota 9,2 de 10 em gravidade. Os desenvolvedores do PHP já disponibilizaram quatro versões corrigidas: 8.2.35, 8.3.36, 8.4.27 e 8.5.12. Entretanto, os administradores precisam instalar as atualizações para proteger seus servidores. Até que isso aconteça, aplicações vulneráveis podem continuar expostas a ataques. As mesmas falhas já levaram governos e empresas de países como Alemanha, Países Baixos, Bélgica, França e Finlândia a retirar serviços digitais do ar por precaução. Veja mais sobre o caso no Canaltech : Alerta mundial: falhas no PHP colocam milhões de sites em risco






