O período Pré-clássico da história maia se estendeu de 1000 a.C. até 250 d.C., começando no advento da vida em aldeias permanentes (1000 a.C.) e terminando no início do período Clássico (250 d.C.). O período é subdividido em três fases: Inicial (anos anteriores a 1000 a.C.), Médio (1000-400 a.C.) e Tardio (400 a.C. - 250 d.C.). O seus principais sítios arqueológicos incluem Nakbe, Uaxactun, Seibal, San Bartolo, Cival e El Mirador. A sociedade maia passou por mudanças profundas entre 100 a 250 d.C, que levaram à interrupção da construção de monumentos em muitas das cidades da época, bem como possível colapso dos sistemas políticos e econômicos locais, evento frequentemente nomeado como "Colapso Pré-Clássico".
História
Período Inicial (2000 a.C.–1000 a.C.) O começo da civilização maia permanece obscura, embora suas características gerais estejam cada vez mais bem definidas. Descobertas paleontológicas e ambientais indicam a presença de produção agrícola no território maia por volta de 3000 a.C., embora assentamentos agrícolas permanentes pareçam ter se desenvolvido apenas posteriormente. Análises de ossos de antigos sítios funerários maias indicam que, embora o milho já tivesse se tornando uma parte importante da dieta da época (menos de 30% da alimentação, segundo os dados descobertos em Ceullo, Belize), peixes, carnes de animais de caça, e outros tipos de alimentos caçados ou coletados ainda faziam um parte importante da dieta. Juntamente com o desenvolvimento da agricultura, formas básicas de cerâmica começaram a aparecer, como a barbotina, possuindo designs simples. Além disso, nessa época, a cultura Olmeca começou a emergir perto da região de Tabasco, garantindo a esses Maias um importante parceiro comercial, além de começar um período de contato profundo com essa cultura, que viria a ter contatos profundos com a sociedade Maia.
Período Médio (1000 a.C.–400 a.C.)
Por volta do ano de 1000 a.C., foi construída a cidade Maya de Aguada Fénix, na região de Tabasco. Esse sítio arqueológico corresponde a um período de grandes mudanças para a sociedade Maia, pois no período anterior a sua construção, os Maias eram nômades, e não se utilizavam da cerâmica, vivendo da caça, pesca e da colheita do milho. Entretanto, com a construção da cidade, os dados mostram que eles começaram a não apenas se utilizar da cerâmica, como também se tornarem um povo sedentário. Aguada Fénix marca o início da construção das cidades-estados Maias que viriam a Florescer posteriormente. Conforme os séculos, as aldeias agricultoras começaram a criar as bases de uma sociedade complexa: Bens de Prestígio, como espelhos de obsidiana e mosaicos de jade começaram a aparecer, aumentando a demanda por um comércio mais extenso. Canais e sistemas de irrigação, que demandavam um esforço coordenado de trabalho humano, começaram a aparecer em escalas cada vez maiores de escala e complexidade. Gradualmente, as aldeias começaram a incluir praças centrais e plataforma de terras, com a presença ocasional de alvenarias. A exemplo, o sítio de La blanca contem um terreno central com quase 23 metros de altura, contendo uma estrutura que é fortemente similar a uma cabeça, sendo esta de estilo notoriamente olmeca. Estela feitas de pedra também começaram a aparecer nesse período, decoradas com representações dos governantes locais, mas ainda não contendo escrita. Os conflitos também aparentam a terem se intensificado durante esse período, como evidenciado pelas armas mais desenvolvidas, governantes sendo retratados como guerreiros, e a aparecia de valas comuns e esqueletos decapitados. Em torno de 900 a.C., a região costeira com o Pacífico foi dominada pelo estado de La Blanca; esse estado viria a colapsar por volta de 600 a.C., sendo substituída por um governo centrado no sítio arqueológico de El Ujuxte. Uma outra sociedade primordial da época foi provavelmente baseada no sítio de Chalchuapa, uma vila com um sistema extensivo de plataformas de terra, organizadas em volta de muitas praças; entretanto, é provável que essa sociedade tenha sido governada pela primeira cidade-estado maia: Kaminaljuyú. Estando localizada dentro da atual Cidade da Guatemala, nas margens do Rio Miraflores, Kaminaljuyú desenvolveu uma poderosa estrutura governamental, que veio a organizar massivas campanhas de irrigação, bem como a construir intrincados monumentos de pedra para seus governantes. Esses monumentos retratavam prisioneiros de guerra, assim como os líderes locais portando armas, indicando uma política militarista por parte de Kaminaljuyú, que dominava os planaltos da Guatemala por séculos. A principal fonte de exportação da cidade era a obsidiana, um belo vidro vulcânico que é facilmente quebrando em pontas afiadas, servindo para confeccionar pontas de flexas, facas e outros tipos de armas, além de outros itens de prestígio, como espelhos. Apesar de ser difícil de identificar a etnia de um povo somente com base em achados arqueológicos, os Maias do período aparentam ter começado uma expansão sistemática rumo ao norte, ocupando a Bacia de Petén, na qual cidades como El Mirador, Tikal, Calakmul e Tayasal seriam construídas. O principal sítio arqueológico desses pioneiros foi o de Nakbe, na Bacia de El Mirador, no qual as primeiras descobertas confirmadas de uma quadra poliesportiva e de uma sacbé (uma estrada elevada feita de pedras) foram feitas. Os governantes de Nakbe construíram muitas plataformas de pedra e ergueram monumentos intrincados de pedra e estuque. Durante esse período, a cultura Olmeca atingiu o seu ápice, centrada na capital de La Venta, localizada em Tabasco, perto dos primeiros centros Maias. Falantes da língua Mixe-Zoqueanas, os Olmecas são geralmente considerados a primeira civilização da América do Norte, com a sua capital, La Venta, contendo sistemas extensos de terraplanagem e de monumentos de pedra, incluindo diversas cabeças de pedra ao estilo Olmeca. Esse povo também compartilhava diversos elementos com a cultura Maia, incluindo o culto ao jaguar, uma dieta dominada pelo milho e uso do cacau. Diversas palavra da língua Mixe-Zoqueana foram incluídas na língua Maia, provavelmente por influência Olmeca. Muitas dessas influências se interlaçam com os conceitos de prestígio e de uma "alta cultura", indicando que os Maias da época estavam profundamente impressionados e influenciados pelos seus vizinhos do noroeste.
Período Tardio (400 a.C.–250 d.C.) O Período Tardio do Pré-Clássico testemunhou a criação dos primeiros estados maias, como o Reino Kan, localizados nas planícies maias, com sua capital sendo El Mirador, na Guatemala; também viu a criação de um estado nas planícies elevadas da região, com sua capital em Kaminaljuyú. Esses estados rivalizam com as cidades-estados Maias do período clássico em escala e arquitetura. As planícies do sítio de San Bartolo, contendo um dos mais antigos registros da escrita Maia, datando de cerca de 300 a.C, e contém murais que demonstram os mitos de criação Maias, bem como a coroação de um rei, em torno de 100 a.C. O mural da coroação demonstram que existia uma monarquia durante esse período
Colapso Pré-clássico (100 d.C- 250 d.C) O "Colapso Pré-clássico" se refere ao declínio e abandono sistemático das maiores cidades do período pré-clássico, como ocorreu com El Mirador por volta de 100 d.C.. Esse processo também envolveu o fim da construção de estelas esculpidas com textos nas serras Diversas teorias foram propostas para explicar o colapso, mas a pouco consenso para esse evento, especialmente quando comparado com os dados disponíveis para o colapso do período clássico.
Cultura
Estrutura social O sítio arqueológico de K'o, associado com a cidade do período clássico de Holmul, localizada na atual Guatemala, contendo o que pode ser o tumulo real de um dos mais antigos lideres Maias conhecidos. Presumisse que a tumba seja de 350 a 300 a.C, e ela contem uma das primeiras evidencias da presença de ahau (título político) nas planícies Maias.
Arte e arquitetura A arquitetura maia antiga era baseada nas tradições gerais arquiteturais mesoamericanas. As pirâmides Mesoamericanas foram construídas a partir do final do período pré-clássico. Em 2010, arqueologistas em Chiapa de Corzo, ao sul de Chiapas, México, anunciaram que acharam uma tumba de uma figura maia importante dentro de uma pirâmide, com essa podendo ser o tipo mais antigo de enterro descoberto na Mesoamérica. Os túmulos datam de há quase 2700 anos.
Ver também Takalik Abaj Escultura Barriga de Pote
Referências
Bibliografia
Leitura complementar